Zé Zuca

Ze Zuca

Zé Zuca, educador, ator, cantor e compositor, é o idealizador da Rádio Maluca, um programa de auditório que reúne crianças e a família ao redor do Rádio ou ao vivo.
Todos os sábados, a garotada se diverte, participando da programação. Brincando, vem conhecendo os bastidores do rá- dio, o poder e a riqueza do veículo de comunicação.
Nesse mês da criança, a RÁDIO EM REVISTA conversa com Zé Zuca e a sua arte de cativar a criançada que, como ele próprio propõe, “entra pelos buraquinhos do Rádio para assistir à Rádio Maluca”.

RÁDIO EM REVISTA – Como começou esse interesse pelas crianças?
Zé Zuca: No início dos anos 70, participei de um clubinho informal fundado com amigos que eram estudantes de psicologia. Bem jovens, queríamos fazer alguma coisa que divertisse e ajudasse as crianças pobres do bairro onde morávamos. Fiz todas as músi- cas do clubinho. A experiência durou pouco, mas a semente ficou plantada. A partir daí passei a achar que criança é a maior plantação do mundo.

RR – Por que o Rádio?
ZZ: Em 1985 fui convidado por uma professora que trabalhava no setor educacional da Rádio MEC a apresentar um projeto de programa para crianças. Apresentei o infantil    “Radioteca”, que foi aprovado e ali comecei minha vida de radialista. Em 1986, enviamos um dos programas para o “IV Festival Anual Internacional de Programas de Rádio de Nova York”. Este programa ficou entre os três finalistas dentre 1547 programas de 18 países. Esse e outros momentos bem sucedidos me estimularam e fui aprendendo a gostar do Rádio, que é um veículo apaixonante. Para criança é ótimo, por ser o que mais exercita a imaginação. Ele não oferece a imagem. A criança tem que imaginar.

R R – Como atrair a garotada para um auditório de Rádio, modelo de programa considerado tão antigo?
ZZ: É só fazer do programa um espetáculo. Como acontece com outros eventos, como peças de teatro, filmes e shows. Colocamos a Rádio Maluca na programação da cidade. Costuma sair inclusive toda semana nas agendas dos cadernos de cultura dos jornais. Depois, é claro, o evento tem que ser divertido e atraente.

R R – A que você atribui o sucesso da Rádio Maluca entre as crianças e, principalmente entre pais e familiares?
ZZ: Conseguimos transformar a Rádio Maluca num programa familiar. Um evento do qual os integrantes da família podem participar juntos e se divertirem. Enquanto os pais curtem as atrações e a participação de seus filhos, as crianças se enriquecem culturalmente. Ocupamos um vácuo, um tipo de programação que os pais procuram e têm dificuldade de encontrar.

R R – Vale a pena em termos ideológicos e financeiros?”
ZZ: Vale a pena em termos ideológicos, de filosofia, de realização. Acredito que nosso trabalho com e para a garotada, que não fica só na Rádio Maluca, é muito útil. Temos o retorno evidente disto. Financeiramente é uma quimera. Não realiza, mas não posso dizer que não ajude e que não viva disto. Vivo disto também.

Entrevista realizada por Amaury Santos / Edição Rádio em Revista 3 / outubro 2010

 

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