Vera Lucia (rainha em 1955)

Vera Lucia
Vera Lucia

Nascida em 7 de agosto de 1930, distante das paragens brasileiras, Ermelinda na verdade vem de Portugal, mais precisamente de Viseu, cidade localizada ao norte.

Sua carreira artística se deu no Brasil, em 1951, quando lançou através do pequeno selo Elite Especial o seu primeiro registro fonográfico onde interpretava um samba de autoria de João de Barro e Alberto Ribeiro intitulado “Copacabana” e o baião “Veio Amô“, do compositor Humberto Teixeira. Ainda no mesmo ano chegou a gravar um dos grandes sucessos de sua carreira, a marcha “Rita Sapeca“, composta pela dupla Klécius Caldas e Armando Cavalcanti (no ano seguinte voltaria a gravar esta mesma dupla de compositores com o samba-canção “Verdadeira razão“).

Entre marchas, sambas, baiões e outros gêneros Vera Lúcia gravou diversos compositores brasileiros e foi aos poucos ganhando a empatia do público a partir de singulares interpretações como a do samba “Não vou chorar” (Humberto Teixeira e Felícia Godoy), a da marcha “Pagode chinês” (Ari Monteiro e Irani de Oliveira), a do “Baião da saudade” (Fernando Jacques), e a dos sambas “Vou-me embora” (Humberto Teixeira e Felícia Godoy) e “Eu não perdoo” (Paulo Menezes e Nilton Legey); além dos sambas-canção “Molambo” (Jaime Florence e Augusto Mesquita), “Filha diferente” (Raul Sampaio e Rubens Silva), “Intriga” (Altamiro Carrilho e Armando Nunes), “Eu sei que você não presta” (Chocolate e Mário Lago), o clássico fado canção “Nem às paredes confesso” (Artur Ribeiro, Max e F. Trindade), “É tarde demais” (Hianto de Almeida) entre outras registradas apenas na década de 1950.

Nesta mesma década a artista chegou a atuar no pequeno selo Elite Special, além das gravadoras Odeon, Sinter e Continental. Aliás, foi esta última responsável pelo lançamento do samba “Valerá a pena” (Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima), canção que acabaria tornando-se uma das pérolas da fase urbana do compositor baiano.

Vera, foi responsável também pela gravação de clássicos da MPB como os samba-canções “Castigo” (Dolores Duran), “Por causa de você” (Tom Jobim e Dolores Duran) e composições do maestro soberano Tom Jobim como o samba “Este teu olhar” e o samba-canção “Porque tinha de ser” (este em parceria com Vinicius de Moraes.)

veralucia cópia

Eleita para ser Rainha do Rádio no ano de 1955, Vera Lúcia teve a sua vitória bastante influenciada por decisão de gaúcho Manoel Barcelos, presidente da Associação Brasileira de Rádio e apresentador de um programa homônimo do seu nome na Rádio Nacional ao longo de diversas quintas-feiras. Manoel queria a todo custo homenagear a cantora Carmen Miranda, que estava no Brasil para tratar de alguns problemas de saúde. E teve a ideia de eleger uma portuguesa para ser a Rainha daquele ano (Há de registrar-se que Carmen era portuguesa de nascimento assim como Vera.) O radialista através de sua influência junto aos meios de comunicação articulou de modo tão competente que a sua candidata acabou sendo eleita. O que não esperava-se era que sua votação fosse tão inexpressiva se comparada com os votos ganhos na eleição do ano anterior.Vera Lucua

Um ano antes Vera Lúcia havia perdido a eleição para Ângela Maria e tornado-se princesa com a expressiva marca dos mais de 900 mil votos (marca nunca antes atingida nem mesmo por nenhuma das Rainhas anteriores). No entanto ela não contava com uma votação mais indelével ainda dada a Sapoti como chegamos a ver ao longo de uma das matérias anterior. Como a nova Rainha estava sucedendo a Ângela Maria, era esta quem, por tradição, deveria colocar a coroa sobre a cabeça da eleita. No entanto não foi o que de fato aconteceu. A coroa foi entregue das mãos da Pequena Notável, a figura mais ilustre da festa e que encontrava-se em visita ao Brasil, como foi dito, para tratamento de saúde.

Em sua coroação, no dia 15 de fevereiro de 1955, ocorreu um espetáculo no mínimo inusitado: A sua entrada no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, foi extremamente pomposa. Conduzida em um andor por quatro atletas que vestiam a camiseta do Clube de Regatas do Flamengo a cantora chegou de modo triunfal. Ângela Maria não gostou, torceu o nariz e nem ficou para o baile. A revista “O Cruzeiro” publicou uma reportagem narrando estes acontecimentos em sua edição do dia 5 de março de 1955.

Vale deixar o registro que a sua fama não restringiu-se apenas ao Brasil. Sua voz alcançou a América do Sul e a Europa através de países como Portugal, Argentina e Uruguai, onde a cantora chegou a cantar.

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