Sérgio Luis

Sergio Luis
Sergio Luis

Acácia Vieira: Quando descobriu que tinha vocação para locução ?
Sérgio Luis: Na adolescência, no meu primeiro emprego, onde era vendedor de calçados. A mulherada elogiava, aconselhava para que eu procurasse um curso e investisse na profissão. E eu aproveitava e vendia até o que não tinha na loja.

AV: Qual Rádio você ouvia na infância e adolescência ?
SL: As inesquecíveis rádios Mundial e Ipanema, no AM. Depois, no FM, a rádio Cidade, com seu elenco estelar: Paulo Martins, Fernando Mansur, Jaguar, Mário Lúcio, Ivan Romero, Eládio Sandoval, Romílson Luis, etc. Essas rádios mudaram padrões e conceitos na época e revolucionaram a comunicação.

AV: Como começou na primeira Rádio ?
SL: Foi um teste que fiz na antiga Rádio Imprensa, para operador de áudio, pois não acreditava que fosse aprovado como locutor, mas…

AV: Carioca de onde? Idade?
SL: Nasci na Policlínica de Botafogo, em 12/01/1967.

AV: O porquê do nome artístico Sérgio Luis ?
SL: Quando fui Apresentar o “Amor Sem Fim”, na Rádio FM 105, já tinham alguns colegas com seus nomes originais “Jorge Luis” no mercado. A direção naquela ocasião, Luis Augusto Biasi e Luis Carlos Paladino, resolveram me batizar assim e sou feliz com isso até hoje, e espero que por muito tempo.

AV: Em quais emissoras de rádio você já trabalhou?
SL: FM 105, 98 FM, JB AM / FM, Nativa FM , Tupi AM e outras.

AV: De qual tem mais saudade? Por que?
SL: Da 105, porque tudo lá foi maravilhoso e o programa era líder. Depois, da 98. O programa que eu apresentava com o Amin Khader foi bom demais. Era o Chat Amizade.

AV: Tem algum locutor que você admira , que o inspirou pelo caráter ou profissionalismo?
SL: Sou fã de carteirinha e me orgulho da sua amizade: Dirceu Rabello. Jorge Ramos, dos anúncios de cinema, também foi, é e sempre será referência pra mim, pelo conjunto da obra: profissionalismo, talento, qualidade, postura e caráter.

AV: Como você foi parar na TV?
SL: Antes da rede TeleCine e TV Brasil, no final da década de 80, um colega de trabalho me indicou pra fazer um teste de locutor de cabine, na TV Globo. Fiz o teste e passei. O mesmo se repetiu com as outras emissoras. Esse colega que me indicou é meu amigo Jorge Oliveira, locutor do Zorra Total.

AV: Sente saudade de fazer radio ?
SL: Muita saudade. Quero voltar o mais rápido possível. Tô com medo de não saber fazer mais.

AV: Qual estilo mais aprecia ?
SL: Popular. Mas o jornalismo também me encanta. Fiz uma temporada de “Sentinelas da Tupi” e foi uma experiência inesquecível.

AV: Como foi encarar o desafio de ser o novo locutor oficial do Maracanã?
SL: Surpresa total. Quando eu pensei que ainda iria acontecer, já tinha acontecido. Depois que acabou a Copa das Confederações e o estádio passou para a administração local, foram implementadas várias novidades, dentre elas: modernização da comunicação dos telões e centenas de monitores de TV, um apresentador/animador em campo, com ponto eletrônico etc., e um locutor de cabine, que seria a nova voz do Maracanã. Eu era esse animador de campo. Só que não houve investimento suficiente na estrutura de vídeo, mas mesmo assim, foi. Isso só valeu para o primeiro jogo, Fluminense x Vasco, pela oitava rodada do Brasileirão 2013, no dia 21/07. Já no próximo jogo…Tudo mudado. As inovações assustaram os conservadores, várias ideias foram abortadas e eu acabei ficando com a locução de cabine. Com todo respeito aos colegas anteriores, não é mais aquela coisa tipo: Sudeeeeeeeeerj innnnnfooooorma: Faço uma comunicação moderna, adequada aos dias de hoje, sem perder o foco. Gosto muito do trabalho. Faço com amor e espero agradar.

AV: Você se preparou, desejou este trabalho ou foi ao acaso?
SL: Puro acaso. Nem tive tempo de me preparar. Tudo foi muito rápido: a necessidade do estádio, a procura pelos profissionais, a indicação, o teste, a sintonia com o consórcio administrador etc. Nunca tive envolvimento com futebol. Apenas torcia, moderadamente.

AV: E na estreia, se sentiu bem, à vontade? Ou mesmo com mais de 25 anos de profissão sentiu nervosismo, frio na espinha ?
SL: Imagine uma estreia com 50 mil pessoas ali observando tudo. Roendo as unhas. Onde tudo o que acontecia era estreia. Qualquer vacilo, por mínimo que fosse, seria fatal.
Não tem mortal que não trema na base, mas depois das primeiras entradas no ar, fui me acostumando. Deu tudo certo. Hoje, já lamento quando o público é de 5 – 10 mil pessoas.

AV: O que espera do seu futuro, deseja se aposentar fazendo locução ou sonha com outros trabalhos, outras áreas?
SL: Espero exercer a minha profissão de todas as formas até quando não puder mais. Nem penso em aposentadoria, pois com meu corpinho de 20 anos, pensar nisso pra quê? Também nunca pensei em outros trabalhos. O que quero é honrar a categoria e os amigos.

Assista e ouça aqui um texto narrado pelo locutor

Entrevista realizada por Acácia Vieira
em outubro/2013

 

COMMENTS

  • Wilson

    Saudades do grande locutor Sergio Luís das traduções de músicas e em algumas com participação especial com a baiana do tempero quente acácia Vieira vos es marcante que marcou e ainda marcam gerações todas as homenagens para você meu amigo Sergio e para você querida acácia São poucas tudo de bom.
    Do amigo Wilson

  • Vera Lúcia Valério

    Tudo que posso ler a seu respeito me dá prazer, sou sua fã número UM. Bj de vera Valério

  • Leomarcio

    Sérgio luis é um locutor espetacular!
    Tenho 41 anos, também sou locutor e trabalhei em algumas emissoras de MG. O Sérgio sempre foi referência profissional para mim.

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