Ricardo Alexandre

Ricardo Alexandre
Ricardo Alexandre

Na produção ou no microfone, um homem de rádio.

Rádio em Revista: Você foi produtor de grandes comunicadores como Haroldo de Andrade, Waldir Vieira, Roberto Figueiredo e Cidinha Campos. Qual a principal mudança que as novas tecnologias trouxeram ao seu trabalho?
Ricardo Alexandre: A mudança foi radical. Antes, tinha que ficar ligado no próprio Rádio, na TV, nos jornais e revistas para estar atualizado. Com o computador e a Internet, tudo mudou. A qualquer momento, em qualquer lugar, posso ler jornais e revistas do
mundo inteiro. Hoje, até mesmo impossibilitado de comparecer à Tupi, a ausência física não impede o meu trabalho: de casa, da rua ou mesmo em viagens, posso enviar toda a produção. Isso era impensável num passado recente.

RR: Por que prefere ficar nos bastidores?
RA: Na verdade, as coisas comigo aconteceram sem que fossem planejadas. Nunca pensei em trabalhar em Rádio. Meu objetivo era o jornal impresso. Trabalhei em vários. E foi quando um deles (“O Jornal”, dos Di- ários Associados) fechou que acabei indo para a Rádio Globo.
Lá, durante alguns anos, trabalhei no jornalismo. Um dia, o Haroldo de Andrade me chamou para ser produtor do programa dele. Aceitei e nunca mais deixei o setor.
Não foi uma preferência ficar nos bastidores. Foi um acaso. Como consegui certo destaque na produção de textos, acabei trabalhando também, na produção do Waldir Vieira, do Roberto Figueiredo e da Cidinha Campos.
Mas nem sempre fiquei nos bastidores. Com Haroldo de Andrade, apresentei o quadro “Futebol da Vida”, no qual falava com bom humor de futebol e do cotidiano. Também participava dos “Debates Populares” com o Haroldo de Andrade e com a Cidinha Campos. Tive presença ao vivo com o Loureiro Neto, no programa “Papo de Botequim”, na Rádio Globo. Participei dos debates do “Programa Roberto Canázio”, na Rádio Tupi e, agora, com o Francisco Barbosa.
Apresentei um programa na Rádio Tupi, em 2004 (“Você é o Show”). Tive outro na Bandeirantes AM. Passei a maior parte de minha carreira nos bastidores, mas também botei minha cara na janela.

RR: O que acha que pode melhorar na profissão?
RA: Muita coisa pode melhorar para os veículos e para os profissionais. Falta integração entre todos os programas. Talvez, uma Central de Produção que comande toda a programação. Hoje, com uma equipe independente para cada programa, parece que existem várias emissoras dentro de uma só. Os programas se repetem nas reportagens e entrevistas.
Mas, é preciso cuidado para que a Central de Produção não gere sobrecarga com extinção de postos de trabalho.
Falta qualificação de pessoal. Os veículos deveriam oferecer treinamen- to. Hoje, é fundamental conhecimento de informática e de um segundo idioma, o que não é regra, mas exceção.

RR: Pela sua experiência, o que mais o ouvinte procura em um programa de Rádio?
RA: O Rádio não é mais um veículo basicamente sintonizado por donas de casa e aposentados. Claro que esses segmentos continuam, mas outros públicos foram se incorporando.
Hoje, o Rádio é presença obrigatória nos carros, nos celulares, nos computadores etc. A facilidade de ouvir Rádio a qualquer instante, em qualquer local, conquista novos adeptos.
O ouvinte não quer mais apenas diversão. Quer ouvir e ser ouvido, participar, opinar. Exige um Rádio informativo e interativo.

Entrevista realizada por Ruy Jobim
Publicada na edição n 1 da Rádio em Revista – ago/2010

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