O RÁDIO, A MÚSICA, A VIDA

musica O Rádio e a música começaram a viver um caso nos anos 1950. Os historiadores dizem que, a princípio, lamentavelmente foi por uma medida econômica calhorda. A música começou a servir de tapa-buracos para as radionovelas e programas similares que, evidentemente, custavam caro e foram sendo ceifados. Muitas emissoras, visando lucros, começaram a inserir música chamada de mecânica (gravações) para substituir atores, atrizes, narradores. O problema é que a música virou receita de sucesso e o sucateamento do Rádio produzido, pensado, roteirizado foi inevitável.
Nos anos 1960, os discos estavam consagrados nas Rádios brasileiras, que sempre se inspiraram no modelo norte-americano. Só que lá os poderosos (até hoje) sindicatos contiveram o apetite dos magnatas das comunicações, obrigados a não demitir. De forma alguma. No Brasil, com raras exceções, os sindicatos de radialistas sempre foram comandados pela triste e lamentável figura do pelego.
Como escreverei sobre música aqui na Rádio em Revista, inauguro a seção com essa breve exposição de motivos. Bom, se a música se consagrava na mídia Rádio nos anos 1960, um de seus subprodutos, o famigerado jabá, começava a ganhar força, tornando-se figura nefasta e obrigatória em muitas emissoras brasileiras. Valia dinheiro vivo, viagens, carros, enfim, o jabá é um animal performático, multifacetado e mantém seu (mau) caráter vinculado à metamorfose.
Hoje, o Brasil vive mais um momento de crise em boa parte das emissoras musicais, o que por um lado é bom. É bom porque força os magnatas a investirem em mão de obra qualificada e não gente que ganha a vida recortando hit parade de revista americana para programarem depois. O tiro de misericórdia no esquemão de muitas emissoras musicais lentas, provincianas e também corruptas (jabá) foi a internet.
A internet surgiu como uma espécie de Princesa Isabel digital, abrindo as senzalas do Rádio em todo o mundo. Hoje, qualquer pessoa, em casa, monta uma webradio, que o público vai consagrar ou sepultar. Simples. A seleção natural está acontecendo na savana do saber e não na do jabá. Mudou o norte dessa história. E não são poucas as webradios no Brasil. No resto do mundo já passam de um milhão, como podemos constatar acessando o sensacional portal www.radios.com.br que fica em Varginha-MG.
Vamos em frente. Em alto e bom som!

Por Luiz Antonio Mello
fevereiro/2014

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