SBT, Record e RedeTV em guerra com operadoras de TV por assinatura

A partir do dia 29 de março, quando o sinal analógico de TV for desligado,  a RecorTV, RedeTV e SBT deixarão de exibir sua programação nas operadoras pagas Net, Claro, Embratel e Sky.
A briga, que já vem, há tempos, se desenrolando nos bastidores, foi exposta ao público espectador. Por meio da Simba Content, empresa formada pelas três emissoras, querem que as operadoras de TV paga paguem pela exibição de seu sinal digital. Até então, o conteúdo dos três canais era carregado pelas operadoras sem nenhum tipo de remuneração.

No comunicado exibido pelas três emissoras, é afirmado que as operadoras “se recusam a negociar os direitos de transmissão com Record, RedeTV e SBT, ao contrário do que já fazem com grupos estrangeiros e até com outras emissoras nacionais”. O comunicado segue dizendo que “juntas, RecordTV, SBT e RedeTV detém grande parte da audiência da TV Aberta”. Por fim, as emissoras reclamam da postura das operadoras. “Lamentamos a falta de diálogo das operadoras, o que impediu que um acordo que respeitasse o desejo do público brasileiro”, diz o comunicado.

Entenda a situação
O modelo de negócio das mega operadoras de TV paga por assinatura consiste em comprar a programação com sinal digital de terceiros, como por exemplo os filmes da NETFLIX e da HBO, e vender esse conteúdo ao consumidor, através da cobranca de mensalidades e também veiculando publicidade e cobrando este espaço do anunciante. Por outro lado, as chamadas “TVs Abertas” como a RedeTV , Record e SBT , disponibilizam toda sua programação aos seus telespectadores de forma gratuita, sem cobrar nada. A sua receita provém da venda de publicidade para anunciantes e de patrocínios.
A convivência entre estes dois modelos foi relativamente pacifica enquanto as TVs abertas permitiram, de forma gratuita, que seu sinal de transmissão analógico fosse incluído na grade de programação das grandes operadoras de TV paga.
Silvio Santos, Marcelo de Carvalho e Edir Macedo, durante anos, investiram em tecnologia de ponta, para produzir e transmitir shows, novelas, noticiários e filmes, gerando milhares de empregos diretos e indiretos

No entanto o mercado mudou e evoluiu, os consumidores passaram a ser mais exigentes, a competição por programação de qualidade aumentou, obrigando e as TVs abertas brasileiras a fazerem grandes investimentos para transformar toda sua transmissão de shows, noticiários, filmes, documentários, novelas, etc, em tecnologia digital de alta definição. Com o fim do sinal analógico da TV marcado para o dia 29 de março em São Paulo, as grandes operadoras de assinaturas vão perder todo o conteúdo gratuito que tinham das TVs abertas e nesse momento deveriam passar a tratá-las como fazem com a NETFLIX, o Dicovery ou a National Geographic: comprar o conteúdo digital das TVs brasileiras de alta definição, para só então vendê-lo.

Nesse momento, alguém poderia lançar o argumento de que isso não passa de choradeira das TVs abertas, que elas querem apenas garantir uma reserva de mercado forçada na grade das operadoras de TV paga. No entanto esse argumento não se sustenta já que pesquisas de audiência indicam que a programação das TVs abertas representam incríveis 35% a 60% da audiência das operadoras de TVs pagas, ou seja, estas é que estão pegando uma carona imoral em cima do trabalho das TVs nacionais.

É importante dizer que, até o momento, assinantes da Vivo TV ou Oi TV não serão afetados. Os demais clientes poderão acessar os canais se utilizarem uma antena adicional em seu televisor ou conversor digital.

Fonte: Meio e Mensagem e Último Segundo|IG

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