Mauricio Manfrini

Mauricio Manfrini
Mauricio Manfrini

O humorista Maurício Manfrini, de 41 anos, é casado e pai de três filhos. Com 16 anos de profissão, o carioca de Laranjeiras interpreta o personagem Paulinho Gogó, que é sucesso na Patrulha da Cidade, na Rádio Tupi, e no programa A Praça É Nossa, do SBT. Ainda pequeno, na escola, Manfrini descobriu a arte de fazer rir… e não parou mais!

JP: Quando você descobriu que tinha a capacidade de fazer uma pessoa rir?
M.M: Na escola eu imitava os colegas, os professores e contava piadas em sala de aula. Os alunos ficavam rindo e eu era encaminhado sempre para a orientadora psicológica. Ia eu e um amigo chamado Valdeci, que ria muito alto. Isso ocorria quase que diariamente. Nessa época, eu não tinha a ideia de que seria humorista. Na realidade, eu queria ser jogador de futebol, mas sofri uma ruptura de menisco e ligamento e tive que abandonar o sonho.

JP: Como foi a sua trajetória até se tornar um profissional?
M.M: Eu tive que deixar de lado o sonho de ser jogador de futebol e ingressei no teatro amador, na produção da peça A bruxinha que era boa, de Maria Clara Machado. Na época, em 1993, o rapaz que fazia o personagem Pedrinho saiu e eu o substituí. Aí comecei a me envolver, estudar e em 02 de outubro de 1995 me profissionalizei. Na Rádio Tupi estou até hoje. Na TV, o apresentador Wagner Montes foi o primeiro a me dar oportunidade de fazer humor com o Paulinho Gogó. De lá, eu fui para a Escolinha do Professor Raimundo e depois para A Praça É Nossa, onde estou há sete anos.

JP: Como você projeta a sua carreira?
M.M: Nunca lutei para ter uma explosão. Eu sempre tive a ideia de carreira. Eu quero estar com 80 anos trabalhando. Atualmente, eu faço shows pelo Brasil inteiro, com muito sucesso, quase todos os dias. Eu tenho isso por causa da Rádio Tupi, da minha participação na Patrulha da Cidade, e por causa da A Praça É Nossa, do SBT. Eu sempre procurei dosar as coisas, o meu show, por exemplo, tinha duas horas de duração e eu percebi que rir também cansa. Passei a observar que no final da apresentação o pessoal estava rindo, mas já sem gargalhar. Agora eu faço um show menor para deixar o gostinho de quero mais. Tudo na vida tem que ser dosado!

JP: Como foi a criação do Paulinho Gogó?
M.M: Trabalhando na Rádio Tupi eu já fiz vários personagens, mas eu sempre quis ter um verdadeiro, consistente. O Paulinho Gogó é universal, ele pode ser um carteiro, trabalhar num botequim, ser um bicheiro, um gari, porque ele é um contador de histórias. O personagem foi criado na rua da Rádio Tupi. Eu saia da rádio e ia pegar o ônibus na Praça Mauá, no trajeto passava pelo Sindicato dos Arrumadores, no Cais do Porto, na Rua do Livramento, e ficava observando os caras conversando, no modo de falar, de se vestir, com aquela calça com vinco, camisa de seda javanesa, sapatinho bicolor… e eu achei que todo aquele cenário dava um personagem. Foi quando eu comecei a parar num botequim e anotar as coisas que achava interessante. Com o tempo eu fui compondo o Paulinho Gogó.

paulinho gogo

JP: Quem é o Paulinho Gogó?
M.M: Ele é um contador de histórias, eu costumo brincar que ele é o Forrest Gump brasileiro. Ele conta vitórias e derrotas, os chamados fatos venérios. Paulinho Gogó é morador de Venda Velha e tem um jeito bem peculiar de falar, cheio de gírias e troca de sílabas.

JP: Com relação ao futuro?
M.M: Eu planejo tudo. Eu não espero nada acontecer. Eu não espero oportunidade. Eu as crio. Primeiro as coisas acontecem na minha mente e depois se tornam realidade.

JP: Qual a dica que você dá para quem está começando?
M.M: Quem está começando deve ter seriedade, eu faço humor de uma maneira séria. Eu procuro ler muito até para saber o que está acontecendo e no show brincar com uma coisa atual. Além disso, tem que ter força de vontade, determinação. Eu abri mão de muitas coisas na minha vida para fazer o que gosto.

Reportagem: Julyana Pollo
Entrevista realizada em set /2011

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