Linda Batista (Rainha de 1937 a 1948)

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Florinda Grandino de Oliveira, conhecida como Linda Batista. Depois de Carmen Miranda, uma das primeiras estrelas de grande popularidade em todo o Brasil.

Ao fim da chamada Época de Ouro era difícil encontrar quem não ouvisse seus programas de rádio.

Linda Batista - 1937 a 1948

Foi a primeira Rainha do Rádio no Brasil, em 1937, reinou durante 11 anos como “Rainha do Rádio”. Recebeu títulos com “Estrela do Brasil”, “Nosso Patrimônio Nacional”, “Sambista nº 1 da Belacap”, entre outros.

Começou sua carreira artística muito cedo, assim como a irmã, Dircinha Batista, três anos mais nova que ela.
Aos 13 anos já acompanhava ao violão a irmã Dircinha em apresentações na Rádio Cajuti. Já eram conhecidas como as Irmãs Batista, pois resolveram adotar o sobrenome do pai.

Em 1936, por causa de um atraso da irmã, teve que substituí-la cantando no programa de Francisco Alves, na Rádio Cajuti. Na ocasião interpretou “Malandro”, de Claudionor Cruz, iniciando uma carreira de muito sucesso. Soube depois que o “atraso” havia sido combinado entre seu pai e Francisco Alves, pois este a queria cantando em seu programa e ela era muito tímida para cantar. Logo depois, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Na mesma época, fez uma excursão de grande repercussão ao Nordeste.

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Em 1937, foi eleita a primeira Rainha do Rádio, título que manteve por 11 anos. O concurso foi realizado no Iate dos Laranjas, um barco carnavalesco atracado na Esplanada do Castelo, no centro do Rio de Janeiro. Logo depois, viajou pelo Norte e Nordeste do país, numa excursão de 6 meses, que começou no Recife, no Teatro Santa Izabel, onde interpretou músicas do pernambucano Capiba com a companhamento da Jazz-Band Acadêmica.

Em 1938, transformou-se na principal “crooner” da Orquestra de Kolman, no Cassino da Urca. Ainda em 1938, inaugurou o Cassino da Ilha Porchat, em São Vicente, no litoral de São Paulo, com o maior salário pago até então a uma cantora brasileira. Quando retornou ao Rio, recebeu o slogan de “A Maioral do Samba”. Seu estilo de estrela, provocava cenas antológicas.

Costumava chegar na Rádio Nacional em um sofisticado carro importado, vestida com casacos de pele e ostentando jóias caras, o que causava grande repercussão na imprensa. No mesmo ano, atuou no filme “Banana da terra”, escrito por João de Barro com produção de Wallace Downey, ao lado de Carmen Miranda, Almirante, Dircinha Batista e outros astros.

Gravou, pela Odeon o primeiro disco em dupla com Fernando Alvarez interpretando duas rumbas: “Churrasco” e “Chimarrão”, a primeira de Djalma Esteves e Augusto Garcez e a segunda de Djalma Esteves. Seu nome, no entanto, não consta no selo do disco e nem na discografia em 78 rpm.

Em 1939, voltou a atuar no Cassino da Urca como atração principal, lançando músicas compostas exclusivamente para ela por Chiquinho Sales, como “A vida é isso”; “Eu fui à Europa” e “Eu quero é gaita”, permanecendo como artista daquela casa até 1946, quando o cassino fechou. Também em 1939, lançou pela Odeon, cantando em dueto com Fernando Alvarez a marcha “Oitava maravilha”, de sua autoria.

Em 1940, gravou na Odeon seu primeiro disco solo, cantando a marcha “Macaco quer banana”, de J. Piedade e Sá Róris e o samba “Abre a porta”, de Raul Marques e César Brasil. No mesmo ano, gravou um de seus grandes sucessos o samba “Bis maestro, bis”, de Cristóvão de Alencar e J. Maia. Ainda no mesmo ano, foi contratada pela Victor gravadora onde permaneceu por 20 anos e na qual estreou com a marcha conga “Passei na ponte”, de Ary Barroso e o samba “Renda nova”, de Juraci Araújo e Gomes Filho, com acompanhamento de Louis Cole e Sua Orquestra do Cassino Atlântico.

Em 1941, gravou a marcha “História de Adão e Eva”, de Nelson Teixeira e Antônio Barreto e o samba “Dança mas não encosta”, de Raul Marques e Roberto Roberti. No mesmo ano, fez grande sucesso com a valsa “Tudo é Brasil”, de Vicente Paiva e Sá Róris e “Batuque no morro”, de Russo do Pandeiro e Sá Róris.

Em 1942, gravou com acompanhamento de Luiz Americano e seu regional os sambas “Quarta-feira, 17”, de Russo do Pandeiro e Ari K. Silva e “De sol a sol”, de Alvaiade e Ari Monteiro; a batucada “Olha a onda”, de Ubirajara Nesdan e Artur Vargas, e a “Marchinha do pintor”, de Nássara e Roberto Martins.

Seu sucesso no rádio e no disco, acabou por levá-la à presença do Presidente Vargas nos anos 1940. A partir de então, iniciou-se uma admiração mútua entre os dois, sempre citada com orgulho pela cantora.

Em 1943, deixou a Rádio Nacional e foi para a Rádio Tupi recebendo 10 contos por mês, um salário altíssimo para a época. No mesmo ano, gravou os sambas “Para de gritar”, de Herivelto Martins e “Grande prêmio”, de Marília e Henrique Batista com acompanhamento dos Diabos do Céu. Por essa época, com grande prestígio popular emprestou sua imagem à mobilização patriótica naqueles tempos de guerra cantando músicas como o samba “A pátria está te chamando”, de Grande Otelo com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu regional. Apresentou-se na época, no Norte e Nordeste do país para tropas brasileiras e americanas lá aquarteladas no “Show da vitória”, com orientação de Ary Barroso e direção de Teófilo de Barros com elenco que contava, entre outros, com Dorival Caymmi e o Trio de Ouro.

Em 1944, para o carnaval lançou a marcha “Clube dos barrigudos”, de Cristóvão de Alencar e Haroldo Lobo, gravada em dezembro do ano anterior. Também em 1944, gravou o samba “Os direitos são iguais” e a marcha “São João do Barro Preto”, de Grande Otelo e o samba “Terra de Ioiô”, de Russo do Pandeiro e Ari Monteiro. No mesmo ano, gravou os sambas “Mulata brasileira”, de Custódio Mesquita e Joracy Camargo e “Donde é que você é?”, de Ari Monteiro e Arnô Canegal.

Em 1945, lançou o samba “Coitado do Edgar”, que foi um dos sucessos do ano e a marcha “A cobra está fumando”, uma homenagem à FEB, Força Expedicionária Brasileira, ambas da dupla Benedito Lacerda e Haroldo Lobo. No mesmo ano, fez sucesso no carnaval com a marcha “No boteco do José”, de Wilson Batista e Augusto Garcez e excursionou com sucesso pelo Brasil apresentando-se em diversas capitais.

Em 1946, participou do filme “Caídos do céu”, de Luís de Barros na Cinédia. No mesmo ano, gravou os sambas “Assobia um samba”, de Ary Barroso; “Você sempre me dizia”, de sua autoria e “Ranchinho abandonado”, de Norberto Martins e Pacheco Silva, entre outras composições.

Em 1947, gravou a batucada “Pobre vive de teimoso”, de Ciro de Sousa e Jorge de Castro; o choro “Mulato doce”, de Jaime Silva e José Luiz e o samba “Língua não tem osso”, de César Brasil e Haroldo Torres, entre outras. No mesmo ano, assinou contrato com a boate Vogue onde permaneceu por cinco anos. Ainda no mesmo ano, viajou com a irmã Dircinha ao Ceará para a inauguração da Ceará Rádio Clube, fazendo apresentações no Teatro José de Alencar. Atuou também no Teatro Santa Izabel e na Rádio Clube de Pernambuco. No ano seguinte, gravou da dupla Haroldo Lobo e David Nasser a marcha “Por trás” e o samba “Entregue o apito ao Vavá”. Participou ainda do filme “Esta é fina”, juntamente com Dircinha Batista, Aracy de Almeida, Nelson Gonçalves e outros.

Em 1950, gravou com sucesso o samba “Nega maluca”, de Fernando Lobo e Evaldo Rui. Gravou também a marcha “A mão de pixe”, de Donga e J. Piedade e fez seu primeiro registro de uma composição de Lupicínio Rodrigues, o samba canção “Migalhas”, parceria com Felisberto Martins. Ainda no mesmo ano, gravou o samba “O Brasil há de ganhar”, de Ary Barroso alusivo à Copa do Mundo realizada naquele ano no Brasil.

Em 1951, gravou  “Bambu”, de Manezinho Araújo e Fernando Lobo e o samba “Ó de penacho”, de Manezinho Araújo e Armando Cavancânti. No mesmo ano, retornou para a Rádio Nacional onde apresentou seu próprio programa intitulado “Coisinha Linda“.

Também em 1951, conheceu um de seus maiores sucessos com o samba-canção “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues.

Em 1952, gravou com Trio Madrigal o samba “Chico Viola”, de Nássara e Wilson Batista, homenagem ao cantor Francisco Alves, falecido em acidente automobilístico naquele ano. Ainda no mesmo ano, atuou nos filmes “Tudo azul”, de Moacir Fenelon; “Está com tudo”, de Luís de Barros e “É fogo na roupa”, de Watson Macedo.

Em 1953, gravou os sambas “Trapo de gente” e “Risque”, de Ary Barroso. Gravou também com Ataulfo Alves, o samba “Balança, mas não cai”, de Ataulfo Alves. No mesmo ano, gravou com a irmã Dircinha os sambas “Carro de boi”, de Capiba e “Nossa homenagem”, de sua autoria e Henrique Beltrão. Do compositor pernambucano Capiba, gravou ainda no mesmo ano o samba canção “Última carta” e o samba-choro “Subúrbio triste”.

Em 1954 gravou a “Marcha da penicilina” e o samba “Graças a Deus”, da dupla Klécius Caldas e Armando Cavalcânti. No mesmo ano, participou dos filmes “Carnaval em Caxias”, de Paulo Wanderley, da Fama-Atlântida e “O petróleo é nosso”, de Watson Macedo. Ainda no mesmo ano, gravou com Nelson Gonçalves os sambas ” Fume um cigarro”, de David Raw e Victor Simon e “Fumei”, de sua autoria.

Em 1955, saiu da Rádio Nacional e ingressou na Rádio Mayrink Veiga. No mesmo ano, gravou os sambas “Palavra de honra”, de Carolina Cardoso de Menezes e Armando Fernandes e “Prefiro ele”, de René Bittencourt. Também no mesmo ano, participou do filme “Carnaval em Marte”, de Watson Macedo.

Em 1956, atuou nos filmes “Depois eu conto”, de Watson Macedo e “Tira a mão daí”, de J. Rui, da Flama-Unida. No mesmo ano, gravou a “Marcha do resfriado”, de Klécius Caldas, Armando Cavalcânti e Brasinha e ingressou na Rádio Tupi com o fabuloso salário de 60.000 cruzeiros mensais.

Em 1957, gravou outro clássico de Lupicínio Rodrigues, o samba canção “Volta”. No mesmo ano, fez excursão ao Uruguai e participou do filme “Metido a bacana”, de J. B. Tanko, da Cinedistri-Sino.

Em 1958, registrou os sambas “O gemido da saudade”, de Monsueto Menezes e José Batista; “Qual é o caso”, de Jorge de Castro e Erasmo Silva e “O morro está doente”, de Luiz Antônio e Oldemar Magalhães. No mesmo ano, atuou no filme “É de chuá”, de Vítor Lima, da Cinedistri-Sino e fez nova excursão ao Uruguai. Lançou também o LP “Linda Batista”, interpretando entre outras, “Zé do morro”, de Herivelto Martins e David Nasser; “Feijoada completa”, de Oswaldo França e Mary Monteiro e “Conselho”, de Lupicínio Rodrigues e Rubens Santos.

Em 1959, retornou para a Rádio Nacional além de receber da UBC e SBACEM, o prêmio Noel Rosa dado artistas que tivessem gravado apenas música nacional. No mesmo ano, gravou o choro “Stanislau Ponte Preta”, de Miguel Gustavo e Altamiro Carrilho e o samba “O maior samba do mundo”, de Herivelto Martins e David Nasser.

Em 1960, obteve grande sucesso no espetáculo “Varieties, 1960” apresentado por Carlos Machado na boate “Night and day”. No mesmo ano, gravou a marcha “Vai que é mole” e o samba “Não precisas bater”, de Mário Lago e Castelo.

Em 1961, fez sucesso no carnaval com o samba “Quero morrer no carnaval”, de Luiz Antônio e Eurico Campos. O outro lado do disco, trazia a marcha “Olha a italiana” de sua autoria, naquele que foi seu último disco na RCA Victor. No mesmo ano, transferiu-se para a Chantecler onde estreou com o samba “Naná”, de Haroldo Lobo, Milton de Oliveira e Rutinaldo.

Em 1963, assinou com a Mocambo e lançou os sambas “Olho grande”, de João de Oliveira e Oldemar Magalhães e “Pagar pra ver”, de Armando Cavalcânti e Ivo Santos. Em 1964, obteve algum sucesso no carnaval com o samba “Quem gosta de passado é museu”, de sua parceria com Jorge de Castro.

Na década de 1960, começou a afastar-se embora muito sutilmente da vida artística. Nos anos 1980, parou de trabalhar, recolhendo-se à companhia das irmãs, em seu apartamento no bairro carioca de Copacabana, o último bem imóvel que lhes restou.

Foi aos poucos se afastando da vida artística entrando em depressão enquanto a fortuna pessoal acumulada se esvaía.

Faleceu em 17/4/1988 no Rio de Janeiro, RJ.

Fonte: Dicionário MPB

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