JOSÉ CARLOS ARAÚJO

Garotinho-1

Quem não o conhece até o confunde com um “garotinho” se ouvir apenas a sua voz.Ex-aluno do Colégio Pedro II , José Carlos Araújo sonhava em ser médico,mas, por força do destino, todos os caminhos trilharam para o microfone e os estádios.Ele começou aos 14 anos narrando jogos de futebol de botão entre amigos e participando de programas estudantis na Rádio Nacional e na Roquette Pinto. Garotinho – apelido pelo qual ficou conhecido desde a Copa de 1974, graças a Deni Menezes que assim o intitulou, pois Zé Carlos chamava a todos que conhecia de “garotinho” – cobriu o milésimo gol de Pelé, no Maracanã, e narrou o  milésimo gol de Romário, no São Januário. Entre um e outro, mais de três mil jogos no comando da transmissão. Com vocês, nosso entrevistado, eleito o Melhor Locutor Esportivo pelo Prêmio Rádio Rio 2013.

Rádio em Revista: José Carlos, você começou no Rádio aos 14 anos, mas também se formou em Geografia pela UERJ e foi oficial R/2 do Exército Brasileiro. Como explicar  essa sua ligação com o magistério e o serviço militar?
José Carlos Araújo: A minha vida inteira eu estudei em escola pública. A minha turma do Pedro II tinha 22 alunos e, desses, 18 são médicos. Eu também me preparei para fazer medicina, só que, pra isso, eu tinha que parar de trabalhar e, como eu era de origem muito humilde, escolhi então uma carreira que desse para conciliar o emprego com a faculdade.Fiquei em dúvida entre neolatinas e geografia, mas acabei optando pela segunda. Cursando medicina, eu teria de ficar cinco anos na faculdade mais dois anos de residência, além da especialização, ou seja, pelo menos, uns dez ou doze anos sem trabalhar. Fazendo Rádio, eu não precisei parar de estudar.

RR: A sua narrativa é jovem, pra frente. Quem não te conhece pode até achar que você é mesmo um ”garotinho” só ouvindo a sua voz no Rádio durante as partidas. De onde vem tanta alegria?
JCA: É que eu gosto do que eu faço, principalmente, porque eu sou um cara entusiasmado, tanto que, com 42 anos de Rádio Globo, eu pedi demissão para lançar um projeto na Rádio Bradesco, e agora, depois de implantado esse projeto, um ano e sete meses depois, eu pedi demissão e estou  com um novo desafio na Rádio Transamérica a partir de fevereiro.

RR: E por falar nisso, por que você resolveu deixar a Rádio Globo depois de tantos anos e, em um curto espaço de tempo, mudar de casa novamente?
JCA: Exatamente por esse entusiasmo. Primeiro porque precisava de alguém agitando e que desse uma mexida no mercado profissional de Rádio. Isso aconteceu quando eu saí da Rádio Globo e está acontecendo de novo, agora, quando eu estou deixando o Grupo Bandeirantes de Rádio e para a Transamérica . E, durante todo esse tempo, a gente sentiu, por exemplo, na Bandeirantes , que a Bandeirantes investiu em Rádio, continua investindo e o Grupo é entusiasmado com o veículo Rádio, só que, como eu já tinha cumprido a minha missão de implantar uma rádio para dar oportunidade aos jovens, eu achei por bem dar oportunidade, agora, para aqueles que são mais veteranos, tipo Áureo Ameno, Rui Fernando, o Gerson e o Gilson que já são veteranos comigo. Todos eles vão trabalhar comigo exatamente em função dessa nova filosofia na Transamérica. É questão de filosofia e eu gosto de encarar os desafios, exatamente porque, a cada ano, eu me sinto renovado.

RR: Você tem um ritual antes de começar a narração de um jogo?
JCA: Não… O melhor remédio para quem trabalha em Rádio e, principalmente, para transmitir futebol, é ter dormido bem a noite anterior. Então, eu não faço noitada, eu não frequento a noite, eu sou um cara que faz exercícios às 7h, 7h30 da manhã todo dia, chova ou faça sol. Eu cuido da minha saúde para poder ter um desempenho profissional até onde papai do céu me der condição.

RR: Como é a sua relação com o público?
JCA: Eu hoje transmito futebol com o laptop aberto o tempo todo, interagindo com ouvintes do mundo inteiro, por exemplo, tem brasileiros no Havaí, brasileiros na Flórida que me acompanham até na troca de emissoras, só pelas redes sociais já sabem que eu estou na Transamérica. Então, já estão mandando mensagem pra mim e, nesse jogo de estreia, Vasco x Botafogo, no dia 2, no Maracanã, eu já tô mandando “alô” e interagindo com eles.

RR: E quais são as suas expectativas nessa nova fase, agora na Transamérica, com um time novo?
JCA: Olha, a minha expectativa é a mesma de sempre. Eu vou continuar na TV Bandeirantes e como colunista do jornal Metro, que também é do Grupo, mas, na Rádio Transamérica é um trabalho novo, quer dizer, não posso nem comparar com o da Bradesco. É um projeto diferente. Mas eu acho que quem sai vitorioso é o Rádio, porque vamos abrir mais portas, valorizar mais o mercado e oferecer mais oportunidades aos jovens e também àqueles que, aparentemente, tinham parado de trabalhar.

RR: Pra você, quem é o grande nome da locução esportiva no Rio hoje?
JCA: Eu admiro muito o trabalho do J. Santiago, que, por sinal, foi lançado por nós na Rádio Nacional. Admiro o trabalho do Evaldo José, respeito o trabalho do Penido… Acho que todos eles estão no mesmo nível, então, não existe inimizade, não existe concorrência, existe sim uma valorização da profissão que, cada vez, fica com menor número de adeptos no Brasil.

RR: O que você gosta de fazer nas horas livres, quando não está trabalhando?
JCA: Vou à praia às 7h30 da manhã, caminho na areia, faço exercício. Hoje já dei meu mergulho. Como eu estou de férias, agora, por exemplo, eu estou lendo, repousando, relaxando aqui em casa na Barra.

RR: E quando o assunto é futebol, mas fora da locução, por qual time carioca o seu coração bate mais forte?
JCA: Ahh, com certeza pelo Fluminense.
Por Thayz Guimarães para Rádio em Revista nº10
fevereiro/2014

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