Jorge Nunes

Jorge Nunes A morte chegou para Jorge Nunes quando ele estava na melhor fase de sua curta vida de radialista. Jorginho, como todos o chamavam, pediu demissão da Light para trabalhar em rádio. E passou a ganhar 1⁄4 do que recebia na Light. “Quando contei isso em casa, minha mulher quis me matar”, lembrou certa vez.
E Jorginho não foi trabalhar numa rádio grande. Foi para uma pequena emissora e as reportagens eram feitas de um orelhão para o estúdio, para simular o som de uma externa. “Eu levava quilos de ficha de telefone”, contou.
Foi Washington Rodrigues quem o descobriu e o levou para a Tupi. Da rua do Livramento, Jorginho foi para o jornal O Povo e para o Balanço Esportivo, da CNT, com Edilson Silva. Passou também a gravar comerciais para o rádio e a TV. Menos de 10 anos depois de deixar a Light, Jorginho provou que estava certo. Tinha um bom carro, um apartamento em Cabo Frio, um bom apartamento no Rio.
Mas Jorginho não escondia suas origens de menino pobre do Sampaio. Certa manhã chorou muito no programa do Clóvis Monteiro , ao confessar que estava no trem, com alguns amigos e viu o pai passar, vendendo pentes e Jorginho fingiu não vê-lo. “Quando cheguei em casa, chorei muito, pedi desculpas, porque meu pai era um herói.”
Jorginho era um menino. Se visse alguém precisando de calças, voltava nu para casa. Algumas vezes me falou que tinha medo de morrer, porque não era possível que tudo o que a vida estava lhe oferecendo não tivesse uma cobrança. Adorava o Rádio, a TV, o Jornal, seus amigos, o Vasco, as peladas. Mexia com todo mundo. Jorginho era um cara do bem e às vezes não entendemos porque a vida faz essas coisas com gente como ele.

Por Maurício Menezes

Edição 10 da Rádio em Revista

 

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