Ibope – você sabe o que é?

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Liderança de audiência das rádios cariocas e o caráter popular das emissoras

O IBOPE é uma daquelas empresas que a maioria das pessoas, apesar de saber do que se trata, estaria na maior saia justa se tivesse que responder qual o significado da sigla e como essa empresa funciona. Afinal, o que é o IBOPE? De onde vem os resultados das pesquisas divulgadas por ele?

Bem, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística – mais conhecido como IBOPE – é uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América Latina, e é responsável por fornecer informações e estudos sobre mídia, opinião pública, intenção de voto, consumo, marca, comportamento e mercado. O Instituto atua no Brasil e em mais 14 países – mas isso você descobre fácil, fácil em uma rápida busca no Google (“é meu pastor e nada me faltará”).

Pensando nisso e nas tabelas de mídia que indicam as audiências de rádio (pois não podemos perder o foco de nossa revista), a Rádio em Revista foi buscar sua fonte dentro do próprio Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (claro!), para melhor compreender como funciona a aferição dos números divulgados pelas pesquisas do IBOPE. Ao final dessa matéria você pode conferir a entrevista, na íntegra, com a diretora regional Brasil do IBOPE Media, Dora Câmara.

Bem, o que a nós interessa saber é que o IBOPE é órgão responsável, dentre outras funções, por aferir o índice de audiência dos veículos de comunicação. A empresa fornece seus números a todas as rádios do Brasil e os resultados são baseados em uma média trimestral, isto é, o número divulgado em janeiro de 2013 é referente à média dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2012.
E por falar em IBOPE, a bola da vez é a disputa por audiência das rádios cariocas. Em primeiro lugar temos a líder absoluta há mais de 10 anos, FM O Dia. Mas logo no seu encalço vem a BEAT98, brigando pela inversão de lugares.
A FM O Dia é conhecida, popularmente, como “a rádio da alegria”, e a emissora faz por onde manter o título. De acordo com Marcson Braga, diretor artístico da rádio, o segredo de ser a no1 do Rio há tanto tempo é fruto justamente dessa alegria que eles transmitem, e do bom relacionamento e proximidade com o ouvinte. “Para nós, o primeiro lugar não é uma meta, é a consequência de um trabalho que, comprovadamente, fazemos bem feito. Não somos a no1 por acaso. Somos líderes porque
mantemos um canal constante e fiel com o nosso ouvinte, o carioca. E este canal é de mão dupla. Tanto eles nos ouvem, como nós também buscamos ouvi-los. Saber o que eles querem. Seja através de eventos, de promoções, da programação… Nós sentimos o que pulsa no Rio de Janeiro inteiro e procuramos traduzir isso no nosso dia a dia”, afirma o diretor em entrevista
exclusiva à Rádio em Revista. Mas a BEAT98 não deixa por menos e acredita que é com muito suor que chegará ao topo. Renan Miranda, gerente executivo da rádio, comenta: “Sabemos que nossas concorrentes são competentes, mas estamos trabalhando para sermos a primeira na audiência. É a receita para o sucesso: 10% de inspiração e 90% de transpiração”.
Carlos Oliveira, estudante de Jornalismo da Uerj, repórter aéreo das rádios Mix e SulAmérica Paradiso, e ouvinte apaixonado, acredita que a liderança está diretamente ligada ao perfil popular das rádios. “A emissora líder precisa falar a língua do ‘povão’. As músicas tocadas, os eventos patrocinados pela rádio, os locutores devem estar de acordo com o perfil do ouvinte. No Brasil, as classes com maior contingente populacional são ouvintes da FM O Dia e da BEAT98”, ele afirma. Mas o estudante de jornalismo e repórter aéreo não para por aí, e mostracomoasrádiosprecisam estar antenadas ao mercado, para assim atraírem o público que desejam e, dessa forma, alcançarem a liderança. Carlos analisa: “Acredito que a rádio [FM O Dia] alcançou tais índices devido à rápida adaptação ao mercado. A emissora acompanhou, por exemplo, o crescimento do funk como o vemos hoje, enquanto a extinta 98 FM, atual BEAT98, permanecia com uma programação mais fechada, ainda com programas do tipo ‘Good Times’”.
Competência e bons profissionais, ambas as rádios, e não somente elas, tem de sobra.
E o IBOPE atesta isso. Difícil saber qual delas é a melhor. Talvez nem haja uma resposta, apenas números. É bom saber que o Rádio, no Rio, não sofre do mesmo mal que os jornais (impressos), pois a cidade é dotada de diversas emissoras com alto poder de concorrência, independente de quem esteja ocupando hoje ou amanhã o primeiro lugar de audiência. É bom saber que o ouvinte tem a possibilidade de escolher o que vai ouvir, que ele tem disponível versões variadas do mesmo conteúdo, e também acesso aos mais diversos conteúdos, nos mais diferentes formatos. É bom saber que o ouvinte não sofre do mesmo mal que o leitor, que o ouvinte não está fadado a uma ditadura (disfarçada) da informação.
Nas palavras do repórter aéreo Carlos Oliveira, “uma hora o panorama pode mudar, mas não sabemos quando. São brigas ótimas e quem ganha é o mercado e também o público ouvinte”.


A Rádio em Revista entrevistou Dora Câmara, diretora regional Brasil do IBOPE Media, para entender melhor como são aplicadas as pesquisas divulgadas pelo Instituto.

RR – Como é feita a aferição dos números divulgados pelas pesquisas? E com qual frequência?
DC: O estudo de audiência das emissoras de rádio fornece análises sobre a participação das emissoras na audiência total, perfil da audiência, locais de audiência, entre outras, com dados coletados diariamente, de forma ininterrupta, nas 13 maiores regiões metropolitanas do país. A pesquisa regular é realizada por meio de entrevistas retrospectivas, ou seja, o respondente informa sobre quais horários e emissoras ouviu nos dois últimos dias. As informações colhidas nas entrevistas passam por um processo de verificação e são transmitidas para o sistema de produção de dados.
Para a correta abordagem e aplicação dos questionários, os pesquisadores do IBOPE Media recebem treinamento específico para a realização das entrevistas. Na etapa de produção de dados é realizada uma nova checagem das informações antes da formatação e disponibilização dos dados no software de análise.

RR – De que forma é realizada a amostragem da pesquisa?
DC: A amostra da pesquisa é composta por pessoas com 10 anos ou mais. A distribuição geográfica das entrevistas da amostra é definida com base na divisão censitária do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e por meio de estudos probabilísticos de composição da amostra com base na representatividade da população e no tamanho da população pesquisada.
A montagem da amostra obedece a critérios estatísticos no que se refere a sexo, ocupação, idade e zona geográfica.

RR – Quem tem acesso aos dados?
DC: As informações obtidas nestas pesquisas são organizadas em produtos comercializados ao mercado e auxiliam na tomada de decisão das agênciasdepublicidade,veículosde comunicação e anunciantes, além de contribuir para avaliações do custo- benefício de campanhas publicitárias e de outras formas de veiculação e investimentos publicitários. Os dados disponíveis para imprensa e população, em geral, estão publicados no portal do IBOPE.

RR – É feita uma análise dos dados ou fica a cargo de cada emissora interpretá-los?
DC: Disponibilizamos a base de dados para que os clientes realizem as análises de acordo com seu negócio, mas possuímos uma equipe de atendimento que os auxilia na utilização dos softwares e interpretação de resultados, esclarecimento de critérios e metodologias.

Matéria feita por Thayz Araújo | Rádio em Revista 7 | mar e abr/2012

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