Waldir Amaral


Filho de Waldemar Dutra Amaral e Otília Dutra Amaral, ambos mineiros de Patos de Minas e Curvelo, respectivamente, deixaram Pilar de Goiás quando Waldir era adolescente e vieram para Campinas, bairro que deu origem à cidade de Goiânia, conhecido também como Campininha.
Waldir se dizia “goianeiro” (mistura de goiano com mineiro), e sua brilhante carreira na “latinha” começou aos 17 anos, na antiga Rádio Clube de Goiânia (Atual Rádio 730). No ano seguinte, ao completar a maioridade, pegou uma carona de avião até São Paulo, posteriormente chegando ao Rio de Janeiro em 1° de julho de 1945.
Tinha um objetivo na então capital do país: conhecer Oduvaldo Cozzi, o lendário “speaker” dos anos 40 e 50. Acabou contratado pela Rádio Tupi, como locutor comercial.
Sua primeira chance na locução esportiva foi na equipe de Jaime Moreira Filho, da Rádio Mauá, a “Emissora do Trabalhador” (por pertencer ao Ministério do Trabalho).
O primeiro jogo narrado por Waldir foi pelos microfones da Rádio Continental, sob o comando de Gagliano Neto.
Passou também pelas emissoras Mayrink Veiga e Nacional, duas potências do seu tempo, mas foram os 23 anos na Rádio Globo, entre 1961 e 1983, que Waldir Amaral gravou para sempre o seu nome na galeria imortal dos mestres do microfone. Foi Waldir, ao lado de um dos diretores da Rádio Globo, Mário Luiz, o “criador intelectual” da vinheta “Brasil-sil-sil!”, gravada pelo radialista Edmo Zarife durante as Eliminatórias da Copa do Mundo para 1970, para levar a seleção à frente, e que está no ar até hoje.
Sempre inovador, incrementava as transmissões lançando frases e slogans que ficaram para sempre, como: “Indivíduo Competente, o Roberto Dinamite”, “Tem peixe na rede do fluzão, choveu na horta do vascão”, “Tem fumaça de gol”, “Desce a patota do Fogão”, “Calibra o centro, executa”, “O relógio maaaaaarca…”, e muitas outras.
Os principais jogadores ganhavam apelidos e definições que tornaram-se até mais conhecidos do que os próprios nomes. Roberto Dinamite era “A vocação do gol”; Zico, o “Galinho de Quintino”; Júnior, o “Capacete”; Rivelino, a “Patada atômica”; Valfrido, o “Espanador da Lua”; Andrada, o “Arqueiro do Rei”; Pelé, o “Deus dos estádios”, entre outros.

Na Rádio Globo, além de principal narrador, foi o Diretor Comercial e chefe do Departamento de Esportes, formando o quarteto mágico do rádio esportivo com Jorge Curi, João Saldanha e Mário Vianna.
Em quatro décadas de profissão, narrou nove Copas do Mundo e uma Olimpíada. Após deixar a Globo, ainda voltou a narrar na inesquecível Rádio Jornal do Brasil AM e na Tropical FM.
Aos 71 anos, de insuficiência coronariana, Waldir “trocava de freqüência”, partindo para a eternidade.

Waldir foi um locutor original e que soube comunicar como poucos. Narrava pausadamente, com elegância e muito estilo. Foi um dos maiores radialistas esportivos de todos os tempos.

9 thoughts on “Waldir Amaral”

  1. Clovis Filho narrava como poucos narram hoje. Direto, sem invencionices e bordões do que locução como é hoje, Clovis Filho e Carlos Marcondes davam show. Pena haver poucos registros do botafoguense Clovis Filho. Hoje, ainda mato saudades ouvindo J. Santiago, um dos melhores da atualidade, é claro, do meu ponto de vista. Loris

  2. Quando estudante em Vitória da Conquista, eu ‘via’ o futebol do Rio de Janeiro através da Rádio Globo pela voz brilhante de Waldir Amaral, a quem imitei por longo período (~1964 a 1969). Em meados de 1969 me transferi para São Paulo e nunca mais o ouvi, embora continuasse com sua voz em minha memória. Quando soube de seu falecimento, fiquei muito triste, e como homenagem, continuei a imitá-lo e até hoje o faço. Imitar o Waldir Amaral é resgatar lembranças de tudo que vivi naqueles anos maravilhosos de ginasiano. Ele e o Osmar Santos, foram para mim, os maiores expoentes da locução futebolística brasileira até os dias de hoje. Saudades de ambos.

  3. Dizem muito sobre Waldir Amaral e suas atuações na Rádio Globo, a partir de 1961.
    Deixam sem comentários a sua passagem pela EMISSORA CONTINENTAL, Rua do Riachuelo, 48, Lapa, onde ao lado de Carlos Palluci marcaram época nas reportagens externas, criatividades e belas performance.
    Foi Palut o inovador das reportagens externas, qdo em um acidente no Rio de Janeiro, pediu ao seu reporter que transmitisse ao VIVO os acontecimentos pelo telefone de uma casa visinha ao acontecido.
    Estava tirada dos estúdios e levado às ruas as reportagens criativas.
    Estava criada a reportagem externa com a primeira transmissão ao vivo com os Comandos Continental, transformando o rádio jornalismo em exemplo para outras emissoras.

    Já Waldir Amaral comandou na Emissora Continental, a 100% esportiva e informativa, a melhor equipe de radialistas esportivos do rádio Brasileiro.
    Figuravam nomes relevantes como carlos Marcondes, Doalcey Bueno de camargos, Clóvis Filho, Avelino Dias, Geraldo castro, Geraldo Borges, Benjamin Wright, José Cabral, Pedro paradela, Teixeira Reizer, Luis Fernando, e outros…
    SAUDADES!

  4. Conheci Waldir Amaral em 1961, quando servia o exército em Juiz de Fora, CPOR, e atuava na Rádio Industrial local, como locutor esportivo.
    A emissora fazia parte da Rede Brasileira de Esportes, criada com sabedoria por Waldir para a divulgação do futebol carioca, mas principalmente para a penetração da Emissora Continental, a 100% esportiva, por todo o Brasil, com o que valorizava as publicidades da Gillete, Texaco e outras patrocinadores, de suas Jornadas Esportivas Brasileira.
    Como integrante da Rede Brasileira, em nossas idas ao Rio para a transmissão das partidas do campeonato carioca, de vez que o juizdeforano é mais ligado ao Rio do que Belo Horizonte, tinha sempre contato com os integrandes da Equipe Esportiva da Emissora Continental.
    Foi ouvindo a Emissora Continental, da qual era fã em minha juventude, que aprendi com o mestre Waldir Amaral a narrar jogos esportivos.
    Saudades!

  5. Quando me lembro dos tempos de criança, ouvindo jogos narrados pelo excelente e saudoso Waldir Amaral. Mesmo reconhecendo que temos grandes nomes no rádio esportivo, como J. Santiago que nos emociona, as narrações do Waldir, são, para mim, inesquecíveis.

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