Heron Domingues – O Repórter Esso


Nascido em São Gabriel, RS, em 4 de junho de 1924, Heron Domingues transformou-se no mais conhecido radialista do Brasil por acaso.

Aos 16 anos, Heron Domingues teve a idéia de ser cantor e foi participar de um concurso de calouros na Rádio Gaúcha, em Porto Alegre. Era um domingo do mês de dezembro de 1941, dia escolhido pelos japoneses para bombardear Pearl Harbour, no Havaí. Na ausência do locutor da rádio, Domingues foi lançado às pressas aos microfones e deu a notícia em primeira mão. Não participou do concurso, mas saiu da rádio empregado.

Em 1944, mudou-se para o Rio e passou a trabalhar na Rádio Nacional, onde, no programa “Repórter Esso”, transmitia a informação “como se estivesse numa trincheira”, costumava dizer. Heron Domingues apresentou o “Repórter Esso” por 18 anos.

Ele mesmo relataria: “Trabalhei no Repórter Esso de 1944 a 1962, sem um dia de folga. Levantava-me ás 6:45 hs. e voltava para casa à 1:30 da madrugada. Nos períodos críticos, dormia na rádio, que tinha uma cama na redação. Para se ter uma idéia da época conturbada em que vivíamos, no período em que fui locutor do Esso, houve no Brasil dez presidentes da república. Durante a guerra, dormia na Rádio Nacional com um fone no ouvido, diretamente ligado a UPI. Sempre que havia uma notícia importante, eles me despertavam, eu mesmo colocava a emissora no ar e transmitia a notícia. Para o fim da guerra, preparamos uma audição especial do Repórter Esso, em que a notícia seria dada fundida com o repicar de sinos. Com medo de me emocionar muito diante do microfone, gravei o início da transmissão: “Atenção! Atenção! Acabou a guerra”.

Acampado no estúdio da carioca Rádio Nacional, Heron Domingues, o Repórter Esso, aguardava sôfrego pelo telegrama que confirmaria o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Deveria fazer jus ao apelido a ele atribuído, “o primeiro a dar as últimas” e não arredaria pé da rádio até que anunciasse as boas novas. Após passar Natal, Ano-Novo e Páscoa em alerta, os colegas insistiam para que ele fosse descansar em casa. Aceitou o conselho a contragosto e, para sua decepção, foi em casa que o radialista soube do fim do armistício, pela emissora concorrente. Para consolo, sua credibilidade ressoou: “Se o Repórter Esso ainda não deu, não deve ser verdade”, comentava-se pelo País. Só depois que empostou sua inconfundível voz ao microfone é que a notícia ganhou veracidade.

A notícia foi ao ar às onze horas da manhã do dia 7 de maio de 1945. Heron era a própria testemunha ocular da história, do slogan utilizado pelo famoso jornal.

Em 1962, já no Rio, foi comentarista internacional de “A Imprensa” e de “A Noite”, redator da United Press e locutor dos jornais cinematográficos da Atlântida. Estagiou durante três anos nas grandes redes de TV americanas. Uma das melhores vozes do rádio, quando transferiu-se para a televisão fez um regime para perder 20 quilos, mudou o guarda-roupa e o corte do cabelo, tudo para aprimorar o visual. Tinha o costume de ligar para as embaixadas a fim de confirmar a pronúncia de nomes estrangeiros e retificava os textos entregues pelos redatores para que ele os apresentasse.

Cinco notícias que lhe causaram maior emoção: o lançamento do primeiro satélite artificial em órbita terrestre; o fim da II Guerra; a conquista pelo Brasil da Copa do Mundo de 1958; o lançamento da bomba atômica em Hiroshima e o suicídio do presidente Vargas que, segundo suas palavras, o levou às lágrimas. O jornalista faleceu aos 50 anos, em 9 de agosto de 1974.

Acreditava que a voz era dádiva de Deus e não se preocupava em preservá-la. Boêmio, ele bebia e fumava em excesso. Depois do expediente, era comum lotar a casa de amigos para notívagos bate-papos. Quando as visitas partiam, virava-se para a esposa, a jornalista Jacyra Domingues, e dizia: “Já faz muito tempo que estou em casa, vamos sair para dançar.”

Uma equipe médica estudou a voz de Domingues por dez anos e nenhuma alteração foi observada, um fenômeno. “Bebo e fumo em excesso”, disse ele. “Pois continue bebendo e fumando”, teriam lhe aconselhado os médicos.

Foi o primeiro apresentador de tevê, quando ingressou na TV Tupi, em 1961. Desde 1972, estava na TV Globo, eufórico para anunciar com exclusividade a renúncia do ex-presidente americano Richard Nixon, sem imaginar que seria seu último noticiário. Poucas horas depois, amigos acreditam que Domingues foi vencido pela emoção e por isso morreu dormindo, vítima de um ataque cardíaco, em 10 de agosto de 1974.

7 thoughts on “Heron Domingues – O Repórter Esso”

  1. Prezados,

    Gostaria de saber quem, realmente, apresentou pela última vez o “Repórter Esso”, no rádio e na tevê, se for o caso? Heron, Dalmácio, Figueiredo…?

    Obrigado

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