Edgard Roquette-Pinto


Médico, antropólogo, poeta e professor, Roquete Pinto dedicou a vida à radiodifusão, tanto do ponto de vista técnico quanto no que dizia respeito à programação radiofônica.
Nascido em 25 de setembro de 1884, foi criado numa fazenda em Minas Gerais até os dez anos, retornando então com os pais ao Rio de Janeiro. Em 1912, já formado em Medicina, passou a acompanhar o sertanista Cândido Rondon em excursões ao Mato Grosso, com o objetivo e o prazer de desvendar a cultura interiorana brasileira.

Nasceu em 25 de setembro de 1884, no Rio de Janeiro. Educador, antropólogo, médico e escritor brasileiro. Seus primeiros estudos foram no Externato Aquino, colando grau na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, em 1905.

Em 1906 foi nomeado professor de Antropologia do Museu Nacional, de que
viria a ser, em 1926, diretor e onde organizaria a Sala Dom Pedro II.

Ainda em 1906, realizou diversos estudos sobre os sambaquis existentes nas
costas do Rio Grande do Sul.

Em 1916, foi professor de História Natural da Escola Normal do Rio de Janeiro
e, em 1920, de Fisiologia na Universidade Nacional do Paraguai.

Em 1922, ano que comemorou o I Centenário da Independência do Brasil,
ocorreu no Rio de Janeiro, por ser, na época, a capital federal, uma grande
feira internacional, que recebeu visitas de empresários americanos trazendo a
tecnologia de radiodifusão para demonstrar na feira, que nesta época era o
assunto principal nos Estados Unidos. Para testar o novo meio de
comunicação, os americanos instalaram uma antena no pico do morro do
Corcovado (onde atualmente é o Cristo Redentor). A primeira transmissão
radiofônica no Brasil foi um discurso do presidente Epitácio Pessoa, que foi
captado em Niterói, Petrópolis, na serra fluminense e em São Paulo, onde
foram instalados aparelhos receptores. A reação de Roquette-Pinto a essa
tecnologia foi: “Eis uma máquina importante para educar nosso povo”.

Roquette Pinto tentou convencer o Governo Federal a comprar os
equipamentos apresentados na Feira Internacional e conseguiu convencer a
Academia Brasileira de Ciências a comprar os equipamentos. Foi criada a
primeira rádio do país, e 1923, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada
em 1922, e dirigida por Roquette-Pinto – atual Rádio MEC que em 1936 foi
doada ao Ministério da Educação.

Em 1934, também por sua iniciativa, surge a Rádio Escola Municipal do Rio de
Janeiro, atual Rádio Roquette Pinto.

Em 1936, os aparelhos de rádio já podiam ser comprados em lojas do ramo.
Nesse mesmo ano, a Sociedade Rádio do Rio de Janeiro foi doada ao
Ministério da Educação e Cultura (MEC), que tinha como titular Gustavo
Capanema, que comunicou a Roquette-Pinto que a rádio seria incoporada ao
tão temido Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão responsável
pela censura durante a era de Getúlio Vargas.
Roquette-Pinto ficou indignado com a proposta de incorporação ao DIP e
exigiu a autonomia da rádio, para preservar a função educativa que ela tinha.
Roquette Pinto ganhou a disputa, e a rádio MEC mantém até o hoje o mesmo
ideário. Consta que, ao se despedir do comando da emissora que fundara,
sussurrou chorando ao ouvido da filha Beatriz: “Entrego esta rádio com a
mesma emoção com que se casa uma filha”.

Membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Brasileira de
Letras, participou, em 1924, na Suécia, do Congresso Internacional de
Americanistas, patrocinado pela Universidade de Goteborg e, em 1929,
presidiu o I Congresso Brasileiro de Eugenia.

Foi também pioneiro na cinematografia, em 1932, fundando, em 1936, o
Instituto Nacional do Cinema Educativo. No setor televisão foi Roquette Pinto
quem muito dele se ocupou, antes de qualquer outro, no Brasil, tendo
conseguido transmissão de imagens à distância.

Inúmeras foram suas glórias na ciência e na cultura, possuindo grande
número de condecorações e tendo legado muitas obras, monografias e
estudos.

Roquette Pinto recebeu merecidamente o galardão de O PAI DO RÁDIO
BRASILEIRO.

Aos 70 anos, a 18 de outubro de 1954, faleceu no Rio de Janeiro. Ficou o Brasil
desfalcado de um dos seus maiores valores. Seu espírito enciclopédico
servirá para a posteridade como um exemplo edificante. A morte o colheu
quando escrevia: “…onde houver alguém que sabe, ensine ao que não sabe.”

Leia aqui o último trabalho de Roquette-Pinto publicado no Jornal do Brasil, que ele escrevera instantes antes de sua morte.