Assis Chateaubriand


Assis Chateaubriand inaugurou em 25 de setembro de 1935 a PRG-3, Rádio Tupi do RJ.

O jornalista brasileiro Assis Chateubriand (de perfil), fundador do conglomerado de mídia ‘Diários Associados’, durante a inauguração de uma de suas emissoras de radiodifusão, a Rádio Tupi, em setembro de 1935. (foto: Diários Associados)

Assis Chateaubriand estudou no Ginásio Pernambucano, em Recife, e aos 15 anos entrou para a Faculdade de Direito, onde viria a se tornar professor de filosofia do direito. Iniciou sua carreira jornalística escrevendo para a “Gazeta do Norte”, o “Jornal Pequeno” e o “Diário de Pernambuco”.

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1915 e colaborou com o “Correio da Manhã”. Em 1924, assumiu a direção de “O Jornal”, embrião da maior cadeia de imprensa do país, os Diários Associados: 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal (“O Cruzeiro”), uma mensal (“A Cigarra”), revistas infantis e uma editora.

Com a Aliança Liberal, Chateaubriand apoiou o movimento revolucionário de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Durante o Estado Novo, conseguiu de Getúlio a promulgação de um decreto que lhe deu direito à guarda de uma filha, após a separação da mulher.

Agia social e empresarialmente com uma ética própria: chantageou empresas, publicou poesias de anunciantes e irritou inimigos. Apesar disso, Chatô teve relações cordiais (e interesseiras) com pessoas influentes, como o conde Francisco Matarazzo, Alexander Mackenzie (presidente da Light & Power), o empresário americano Percival Farquhar e o próprio Getúlio Vargas.

Em 1941 promoveu a Campanha Nacional de Aviação, com o lema “Dêem asas ao Brasil”. Embora fosse um dos representantes da emergente burguesia nacional, não deixou de assumir posições favoráveis ao capital estrangeiro.

Chatô deu oportunidades a escritores e artistas desconhecidos em sua época. Entre eles, podem-se citar Graça Aranha, Millôr Fernandes, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Cândido Portinari.

Com seu espírito inquieto e empreendedor, fundou o Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1947, com uma coleção de obras de grandes artistas, adquiridas na Europa do pós-guerra graças à colaboração de Pietro Maria Bardi.

Em 1952 foi eleito senador pela Paraíba e, em 1955, pelo Maranhão. Renunciou ao mandato para assumir a embaixada do Brasil na Inglaterra. Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1954, ocupou a cadeira deixada por Getúlio Vargas.

Com o tempo, Chateaubriand foi dando menos importância aos jornais e voltando sua atenção para o rádio e a televisão, sempre investindo em novas tecnologias. Na década de 1960, porém, o maior império das telecomunicações no país estava endividado. Chatô sofreu uma trombose que o deixou paralisado e o fez comunicar-se através de uma máquina de escrever adaptada.

Em 10 de agosto de 1967, entregou à Fundação Universidade Regional do Nordeste (hoje UEPB) o primeiro acervo do Museu Regional de Campina Grande (PB). O acervo foi chamado de “Coleção Assis Chateaubriand” e o museu de artes recebeu o seu nome.

Chateaubriand morreu em 1968 e foi velado ao lado de duas pinturas: um cardeal de Velázquez e um nu de Renoir, simbolizando, segundo Bardi, as três coisas que mais amou: o poder, a arte e a mulher.

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, mais conhecido por Assis Chateaubriand ou por Chatô (depois da biografia de Fernando Morais), foi um dos homens mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 e 50.

Frases de Assis Chateaubriand que entraram para a História
SOBRE O BRASIL
“O pessimismo é, entre nós, uma psicose coletiva. Tendo inventado que Deus é brasileiro, entramos a descansar por conta desse parentesco”
“Nosso povo é de uma apatia glacial diante de medidas as mais abomináveis, votadas pelos que legislam em seu nome”
“Dir-se-ia que o Brasil não é governado por homens sadios, mas por egressos de um manicômio”

SOBRE O PRÓPRIO CHATÔ
“Não faço profecias, anuncio fatos à vista”
“Não consigo sequer ser socialista. Nutro sincero desdém por tudo o que é comunismo, coletivismo, socialismo, que são, a meu ver, formas rudimentares da vida em comum”

SOBRE OS PARTIDOS POLÍTICOS
“Uma das desgraças do Brasil é precisamente o isolacionismo em que vivem do povo os seus partidos políticos”

SOBRE O PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS
“A arma mais inexorável com que Getúlio Vargas trucida os adversários é o perdão das injúrias. Nenhum homem matou tanta gente no Brasil só com o emprego da misericórdia cristã quanto ele”

SOBRE A AMBIÇÃO
“Não poderá haver maior desgraça para uma coletividade quando na alma de seus homens morre a ambição”
“Ser prudente é antes de tudo ser medíocre”

SOBRE A INTELIGÊNCIA
“O dinheiro e o ouro de nada valem se uma sociedade não for governada pela inteligência”
“Burrice não tem cura”

SOBRE O TRABALHO
“O que acontece é que Deus anda cansado de carregar tantos malandros de tão pouca vergonha. Por isso, decidiu agora ajudar chineses porque esses hereges sabem fazer uma coisa de que já nos esquecemos: trabalhar”

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