Fresquinho na Cara


Waldir Amaral, um dos mestres da locução esportiva no Brasil, era chefe de esportes da Rádio Nacional e seu xará, Waldir Luiz, um estagiário. Era uma época em que o campeonato carioca tinha jogos de manhã e as rádios cobriam. O novato Waldir Luiz foi olhar a tabela do final de semana e levou um susto: teria que cobrir um jogo do Bangu, no estádio de Moça Bonita, no sábado, às 10 horas da manhã. A rádio não colocou carro para leva-lo e o estagiário não sabia como chegar a Bangu, bairro localizado na zona oeste do Rio.
Sem saber da impaciência de Waldir Amaral, Waldir Luiz resolveu aborda-lo: queria saber como chegar à Bangu. Mal se aproximou, o locutor reagiu:
– Meu filho, nem precisa falar… se for problema, fala com o Loureiro. Quem resolve problema aqui é o Loureiro, eu não resolvo nada…
Era uma alusão a Loureiro Neto, então coordenador do departamento de Esportes da Nacional. Mas Waldir Luiz insistiu e Waldir Amaral ouviu, pacientemente, por uns 3 segundos, a queixa sobre a falta de um carro.
– Aonde você mora, meu filho? Na sua casa tem despertador? Olha que beleza… você, na sexta- feira coloca pra despertar as cinco horas do sábado… acorda, dá uma espreguiçada, toma um banho, toma um café, pega um ônibus até o largo de São Francisco… lá tem um monte de ônibus que passa em Bangu… você pode até escolher… escolhe um com lugar na janela, senta lá e vai embora, tomando aquele ventinho fresco na cara… Tá vendo como tem solução pra tudo? Se tiver mais algum problema, fala com o Loureiro.

Por Maurício Menezes
Texto edição Rádio em Revista 7 (fev/mar 2013)

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