Wagner Torres


Ex-Locutor da Jovem Pan Rio – 102,9, Wagner Torres se diz um profundo apaixonado pela vida e pelo o seu trabalho. É também ator, dublador e apresentador de TV. Atualmente é contratado como ator da rede globo e pode ser visto na novelinha teen “Malhação” dando vida ao personagem “Alemão”.

Qual o seu percurso profissional até chegar na Jovem Pan FM ?
WT: Final de 2001 saí do Rio de Janeiro em direção ao Nordeste, mais precisamente para João Pessoa (PB) onde fui convidado para estrear como locutor na Rádio Tambaú FM, no segmento popular que pertencia na época ao grupo da TV SBT nordeste. Logo depois, fui para Fortaleza onde fiz a rádio cidade por dois anos. Saí de Fortaleza no ano de 2008 para ingressar na Jovem Pan Belo Horizonte onde também fiquei por maravilhosos dois anos. Até que recebi a proposta para trabalhar em São Paulo na Metropolitana FM. Realizei um dos maiores sonhos da minha vida, que era trabalhar em São Paulo numa rádio grande de ponta. Fiquei um ano e meio na Metropolitana FM, até que recebi o convite de Marcelo Eduardo (diretor artístico da Jovem Pan São Paulo), para integrar o elenco da emissora.
Nesse momento eu realizei o maior sonho da minha vida no que diz respeito ao rádio. Sonho de adolescente, de infância. Estar entre os maiores locutores do Brasil, na maior rádio do Brasil. – Só um parêntese, (quando tinha uns 15 anos de idade ia pra São Paulo só para ficar no corredor da rádio Jovem Pan vendo o programa Pânico sendo feito pelo aquário do lado de fora da rádio. E sonhava dizendo pra mim mesmo… “um dia quero/vou estar ali, quero sentar na cadeira que o Emílio Surita senta. Quero estar entre os maiores do Brasil.) Anos depois eu consegui.
Com o projeto da volta da Jovem Pan Rio de Janeiro, fui convidado por Alexandre Hovoruski para me juntar à essa equipe de sucesso. Foi um prazer começar esse projeto do zero e fazer parte dessa equipe dos sonhos que é a equipe Jovem Pan Rio de Janeiro. Atuamente me dedico ao meu trabalho como ator em teatro, tv, cinema e dublagem, e continuo colocado minha voz em locuções publicitárias de rádio e tv.

Ser Dublador, ajudou você na carreira de locutor?
WT: A dublagem é um trabalho do ator. É como se fosse uma especialização da carreira do ator, como é o teatro, o cinema e a tv. Amo a dublagem. Acho a nossa a melhor dublagem do mundo. Ser ator me ajudou muito na minha profissão de locutor. Posso interpretar um texto melhor, vendê-lo da melhor forma. São duas profissões muito parecidas. Acho que todo locutor deveria fazer um curso de teatro.

Ser locutor sempre foi seu sonho? Ou existiam outras opções?
WT: Na verdade, meu primeiro sonho era ser ator, sempre quis ser ator. Foi minha primeira paixão. Me apaixonei também pelo rádio quando fui buscar um prêmio que ganhei, quando cheguei na rádio disse para mim mesmo: –”É isso que eu também quero fazer na minha vida”. Tempos depois vi que eram duas profissões muito parecidas e que se completavam.

Você foi motivado por alguém a se tornar locutor?
WT: Tive muito a motivação da minha família, meus pais! Era um novo mercado que se abria pra mim (até então só trabalha como ator há 7 anos). Mas meus principais incentivadores foram sem dúvida nenhuma meus pais.

Qual foi para você melhor momento da sua carreira?
WT: Sem dúvidas, foi quando entrei no ar pela primeira vez, quando falei a primeira hora certa…rs.
Um outro momento foi quando comecei na Jovem Pan, foi para mim outro melhor momento, não tem como esquecer. Sempre quis fazer parte da equipe de alguma afiliada Jovem Pan, saia do Rio para ir até a Jovem Pan em São Paulo, me via ali trabalhando com aquela equipe. E o momento maior de toda a minha carreira como radialista foi quando entrei no ar a primeira vez na Rede Jovem Pan SAT. Eu falava pra 58 afiliadas, 20 milhões de ouvintes, mais de 3 mil cidades, de norte a sul do Brasil. Aquilo ali é o máximo. Não existe nada parecido. Quando sentei na cadeira pra entrar no ar em São Paulo e para toda rede Jovem Pan SAT, passou um filme na cabeça, lembrava quando eu era moleque que ficava no corredor vendo os meus ídolos do pânico, locutores que admirava como Banana, anos depois trabalhando com eles. Isso não tem preço.

Você já passou por algum momento desagradável em sua carreira?
WT: Não, não. Nunca passei por nenhum momento desagradável como locutor. Na verdade, passamos por momentos difíceis às vezes, como trabalhar nos feriados, finais de semana, dia de festas como ano novo e natal (risos)…às vezes tá a sua família inteira reunida numa festa e você tem que ir pra rádio trabalhar. Mas isso não é nada. Faz parte. Eu amo o que faço e isso pra mim basta.

Um ícone no rádio para você?
WT: Pra começar um grande ícone pra mim chama-se Julinho Mazzei. Esse cara criou tudo o que vemos hoje no rádio. A forma de falar, o jeito meio “gringo” no ar, a dinâmica, tudo! É a minha maior referência. Fez escola e faz até hoje. Depois, vários outros profissionais que trabalharam comigo, pessoas que me ensinaram muito e que são referências enormes na minha carreira até hoje! Meus mestres… Emílio Surita, Tutinha Carvalho, Marcelo Eduardo, Windson Clay e Gilson Dário (que me chamaram a primeira vez pra trabalhar em São Paulo), Marcelo Braga, Ricardo Sam, Alexandre Hovoruski,, Banana (locutor da Rede Jovem Pan) Tina Roma, Bob Fernandez, Ricardo Gama, Gláucia Araújo (que foi uma das minhas professoras de rádio), Monica Lima (também foi minha professora), entre outros.

Qual seu maior sonho dentro da profissão?
WT: Ser cada vez mais profissional, fazer meu trabalho da melhor maneira possível para o público que me escuta. Levar diversão e entretenimento para todo o público. Ser reconhecido pelo meu trabalho e viver dignamente dele, tanto na profissão de ator, como na profissão de radialista, apresentador e por aí vai…rs.

Diante dessa liberdade que temos hoje com a locução, cada vez menos nos esbarramos com vozes “padrão” o que você pode nos dizer sobre as mudanças?
WT: Acho que caiu por terra essa coisa de antigamente de ter voz bonita, voz impostada, eu acho que hoje em dia, no rádio de segmento jovem, é mais o papo que você leva. O cara que esta ouvindo o rádio, quer ouvir uma pessoa que fala a mesma linguagem que ele, quer encontrar um amigo, ele considera isso, ele considera o locutor um amigo dele, é lógico que você precisa ter uma dicção legal, uma fluência verbal bacana, uma oratória bacana, um ritmo, uma dinâmica, mas isso o profissional vai aprender com a técnica. Hoje em dia, no segmento jovem não é requisito principal uma voz bonita.

Qual a sua opinião a respeito do futuro do rádio?
WT: O rádio nunca vai morrer… Acho que o rádio vai ter sempre o seu lugar, sempre vai ter uma casinha lá no interior que a dona de casa vai estar ouvindo no aparelhinho um programa de rádio. As outras coisas que aparecerem, só vem para melhorar, para agregar, a convergência das mídias, as rádios digitais, elas vem pra somar. Acho que o rádio no dial nunca vai morrer, a tendência maior é sempre crescer.

Como você avalia o avanço das web rádio nos dias atuais?
WT: Acho o maior barato a questão das rádios webs, tenho amigos que tem radio web lá em São Paulo, aqui no Rio… mas eu acho que hoje, ainda são muito poucas rádios web que realmente tem um caráter profissional, uma plástica bacana, uma qualidade de programação legal, que me dê mais uma opção se eu estiver em um lugar que não tenha rádio. Existem os sites online das próprias rádios grandes, a concorrência é muito grande, portanto a rádio web tem que ser bem feita para atrair também esse público. Senão o cara fica no site da rádio grande e não vai mudar, porque ali ele tem tudo. Como falei, dou o maior valor, acho o maior barato o advento das rádios webs, mas essas emissoras e esses profissionais tem que desenvolver seu trabalho com um caráter cada vez mais profissional, e muitas vezes, como não tem dinheiro, não conseguem chegar nesse patamar.

Atualmente no rádio carioca, quais comunicadores você mais admira?
WT: Eu acho que o Rio de Janeiro esta muito bem de elenco de locução. Aqui mesmo na Jovem Pan, sou fã de todos que trabalham comigo: Serginho Bitenka, Demmy Moralles! É um elenco que me orgulho muito de estar junto. E como falei, existem outros profissionais que são referências também pra mim, como Ricardo Gama, Gláucia Araújo, Paulo Beto; tem a galera do AM também, Antônio Carlos; Francisco Barbosa; Cloves Monteiro, o falecido Haroldo de Andrade; tem muita gente, o Rio de Janeiro é muito bem servido de mestres e profissionais.

Como é sua rotina quando não está no ar?
WT: Corrida, muito corrida (risos). Como eu disse, também sou ator, então me divido muito entre minhas profissões. Agora por exemplo estou o ar como o “Alemão” de “Malhação”. Estou sempre à disposição como ator, faço Teatro,TV, cinema, dublagem e locução publicitária. Pode parecer um clichê mas não é, amo que faço, e porque amo o que eu faço, posso trabalhar 24h nas minhas profissões que não me canso. Acho que Deus me deu o privilégio de trabalhar com o que eu amo e ainda ser remunerado por isso.
Fora isso, quando não estou trabalhando mesmo gosto de ir ao teatro, cinema, pegar uma praia, viajar, sair para jantar em bons restaurantes com a família, enfim…descansar porque também não sou de ferro né (risos).

O que você poderia dizer para aquela pessoa que sonha em entrar para o rádio?
WT: O que eu poderia dizer é o seguinte, DETERMINAÇÃO, essa é a palavra.
Determinação, Vontade de fazer, profissionalismo, Lutar mesmo pelos seus sonhos. Seja profissional, esteja pronto há todo momento, ouça rádio, treine, se grave fazendo locução, leia em voz alta, estude, se prepare, a oportunidade pode aparecer no momento em que você menos espera, e você vai concorrer com os ótimos profissionais que estão fora do mercado, com os maravilhosos profissionais que estão trabalhando no mercado, com seus amigos que estão se formando. Então faça o seu melhor, seja um bom profissional, olhe nos olhos, faça um piloto bacana, que você vai longe. Eu acho que sorte não existe, o que existe é estar preparado no momento que a oportunidade aparecer. Shakespeare (um autor e dramaturgo inglês) dizia: “Se for agora, não será depois. Se não for depois, será agora. Se não for agora, será qualquer hora. Estar preparado é TUDO.” Acho que essa é a dica.

por Michelle Bittencourt
em 20 de agosto de 2012
Atualizada em abril 2013 

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