Salu (in memoriam)

Carioca da gema (quando nasceu o RJ ainda era Capital do País), nascido e criado em Santa Teresa, o que acredita ser um diferencial, pois as pessoas de lá sempre cultuaram a preservação ambiental e por ser um bairro atípico, semelhante a uma cidade de interior onde todos se conhecem, os laços de amizade se preservam por mais tempo. É amigo dos amigos incondicionalmente.

Qual seu percurso profissional ?
Meu pai – Wolney Silva – era locutor e jornalista. Trabalhou nas maiores e melhores Rádios do Rio e era muito querido por seus companheiros. Me alfabetizou muito cedo, em português e inglês, então tomei amor pela leitura desde criança. E ele me ensinou a interpretar os textos, compreender o significado, antes de continuar a ler, a inflexionar bem as palavras e ler com o intuito de ser compreendido. Isto foi essencial quando ingressei na carreira de locutor, pois já tinha tudo pronto sem ter feito curso algum.
Aos 7 anos, em 1966 gravei um Especial de Natal traduzido do texto original e adaptado para o Português pelo meu pai, que fazia o mesmo papel que eu, só que adulto. Foi irradiado no Natal de ’66 pela Rádio”Voz da América”, em Washington para todo o mundo. Quer dizer… minha estréia como locutor, ou rádio-ator nem foi Nacional, foi Mundial. Dava pra eu ficar metido a besta, né?
Mas quanto ao percurso, comecei no Sistema Globo de Rádio, em 1978 como Auxiliar de Programação da Globo FM. Depois, quando o pessoal soube que eu falava inglês, fui jogado, sem pretender, num teste de locução para a 98 FM, nos seus primórdios quando tocava rock. Passei no teste e comecei a trabalhar como locutor. Fiquei dois anos.
Em 1980, trabalhei na Rádio Ipanema AM e na Melodia FM de Petrópolis.
Em 1982 fui pra Londrina (PR), onde fazendo o trabalho que fazia no Rio, revolucionei o mercado.
Quando cheguei na Rádio Folha FM o percentual de ouvintes era de 52% do geral.
Em 3 meses que estava fazendo o horário das 14h às 18h, pulou para 96% da audiência total das FMs.
Fiz o 1º programa apresentando vídeos musicais na região, mas não gostei da experiência de ser reconhecido o tempo todo nas ruas.
No final de 1983, voltei ao Rio e fui para a Rádio Imprensa FM.
Em 1985 retornei à Antena 1 FM e fazia também a Del Rey FM, quando fui chamado pra trabalhar na Manchete FM. Com um mês na Manchete, o diretor da Rádio me perguntou se eu não gostaria de ir pra Salvador, porque ele estava mudando a programação de lá pra uma mais pop/rock e eu topei. Passei o ano de 1986 na Manchete FM de Salvador e fui convidado pra ir para a Rádio Cidade no Recife. Fui, mas passei só 3 meses por causa do baixo salário que me ofereceram depois de passados os 3 meses iniciais, quando eles pagavam o hotel e não quiseram incorporar isto ao salário. Voltei para o Rio e fiz um teste na Transamérica FM, onde passei a fazer o horário da madrugada, durante dois anos. Então, um amigo que trabalhara comigo na Rádio Cidade no Recife e estava dirigindo a Rádio Jornal do Commercio FM (JC FM), me convidou pra trabalhar com ele. Voltei ao Recife, onde trabalhei na JC FM, Rádio Cidade, na Gravadora E.M.I. como divulgador e na Rádio Manchete FM, quando novamente o diretor geral do grupo Bloch de Rádios me convidou pra implementar uma mudança no estilo da Rádio.
No total, passei 5 anos no Recife e quando voltei ao Rio, os diretores das rádios não sabiam como eu estava, que estilo eu fazia e até voltar a trabalhar na Globo FM, passaram-se dois anos.
Depois disto as programações calcadas em axé/pagode/sertanejo e funk, fizeram que eu me afastasse do meio.
Mas continuei com gravações comerciais, institucionais para empresas e fazendo trabalhos para diversas produtoras.
Em uma das produtoras que trabalhei, fizemos uma série de 30 shows para o Multishow, onde eu era encarregado das entrevistas.
Optei por uma fórmula que eu não aparecesse e o entrevistado falasse como se estivesse comentando naturalmente os assuntos abordados.
Montei uma banda de Classic Rock chamada “The BoTTLes” que tocava os clássicos dos anos 60, 70 e algo dos anos 80.
Assim que puder retorno com este projeto que me deu muito prazer. Cantar é fundamental!!!!
Em 2003, sofri um infarto e passei um bom tempo parado.
Somente em 2009 voltei ao Rádio, em Fortaleza onde fui chamado para fundar uma Rádio Pop/Rock, num mercado saturado por axé, sertanejo e forró. O trabalho foi ótimo, mas não me adaptei à cidade e ao povo muito diferente do Carioca e retornei ao Rio em 2010, depois de 1 ano na Rádio Fortal FM.
Em 1981, fui chamado pra integrar o 1º grupo de locutores da Antena 1 FM, quando as “estrelas da Rádio Cidade, Eládio Sandoval e Romilson Luiz saíram da Cidade pra fundar a Antena 1.

Você sempre quis ser locutor?
Não. Meu sonho era ser desenhista. Desde criança desenho e acabei trabalhando durante 2 anos na Embrafilme, fazendo cartazes de filmes, anúncios, folders e press-releases. Meu estilo era o Surrealismo e além de Salvador Dalí, temos no Brasil o Juarez Machado. Depois de ir a uma exposição de quadros dele numa galeria em Copacabana, desisti do desenho porque pensei: Esse cara está uns 20 anos à minha frente. mesmo que eu me aprimore, estude, desenvolva, daqui a 20 anos ela vai continuar 20 anos à minha frente. Parei com o desenho.
Pedi demissão da estatal e fui dar aulas de inglês e desenho para crianças numa escola Montessoriana. A paixão pela música me fez entrar em Rádio.

O que você faz atualmente?
Nada. Estou inscrito no programa de transplante do INC (Instituto Nacional de Cardiologia) e posso ser chamado a qualquer momento. Tenho de ficar à disposição e estou em casa em repouso por ordens médicas.

Alguém motivou você a optar pela profissão ?
Além da influência do meu pai que sempre me levava às Rádios com ele, o que mais me influenciou foram Big Boy na Rádio Mundial e a 1ª turma de locutores da Rádio Cidade, que passou a fazer um tipo completamente diferente de Rádio, passando intimidade, amizade e companheirismo.

Conte um momento inesquecível da sua carreira?
Um momento é muito difícil… Acho que o melhor que o Rádio me trouxe foi a oportunidade de conhecer trabalhando tantas cidades diferentes, fazer muitos amigos e saber das diferenças gigantescas deste país continental.

Motivo de orgulho?
Não ter surtado com o sucesso, mantendo meu senso crítico e tratando as pessoas com o respeito que elas merecem. Principalmente os ouvintes, porque eles são a razão do sucesso de qualquer comunicador.

Motivo de arrependimento?
Ter magoado algumas pessoas, na maioria das vezes, sem querer por ser impulsivo e dizer o que me vem à mente. Mas com a idade, estou melhorando… rs rs

Um lugar especial do Rio de Janeiro para você?
UM só? Impossível… Lagoa, Urca, Santa Teresa, o Centro Histórico, Grumari.
Sou apaixonado por esta cidade, em geral…

Atualmente no rádio carioca, quais comunicadores você mais admira?
Gláucia Araújo, Selma Boiron, Francisco Barbosa, Zé Costa e mais um monte…

Você sonha em voltar para o dial ?
Sim. Acho que ainda tenho muita contribuição a dar ao Rádio Carioca, ou Brasileiro, no caso de entrar numa Am.

O que você poderia dizer para aquela pessoa que sonha em ser locutor ?
Leia. Leia MUITO! A intimidade com as palavras dará muito mais segurança estando no ar.

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Trate ao próximo como você gostaria de ser tratado. Respeito é bom e todo mundo gosta.

postado 23 de abril 2012

2 thoughts on “Salu (in memoriam)”

  1. Conhecí o “Salú” quando ele estava na Rádio Imprensa!
    O que ele citou no final da Entrevista, lembro bem, diante nossos diálogos no Estúdio, quando ia visitar a Rádio da “dona” Eunice Curi: “respeito é bom e todo mundo gosta.” -Aprendí a admirar o Salú” pela Pessoa Humana que, espero, esteja num lugar de muito mais destaque, do que na nossa saudade!

  2. Uma bela entrevista. Eu tive, apenas um contato com Salu. Eu era ouvinte Transamerica, estava ouvindo a Radio, pensei: Esta voz é nova. Continuei ouvindo e dia seguinte tratei de descobri o dono da voz. Liguei para Transamerica, falei com proprio Salu. Era um locutor, que sabia tratar os ouvinted, como ele mesmo disse na entrevista como pessoa. Eu fui ao studio da Transamerica, na Rua Felipe Camarão, acho Vila Isabel, não entendo bem isso. Uma conversa descontraida e com conteudo. Um homem de ouro, Um locutor de Ouro.
    Ao ler esta entrevista, me bateu saudade de grandes locutores, do passado, eu curtia demais. Eladio Sandoval, Romilson Luiz, Caca, Jaguar e Claro Rui Jobin, que tão brilhantemente, mostra sua competencia na Sulamerica Paradiso FM. Peço, caso tenha informações desta feras do Radio, vou adorar saber.
    Abraço a todos
    Lucio Basilio.

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