Rafaela Ferraz

Locutora, com formação acadêmica em Publicidade e Propaganda. Sua história profissional começou, na verdade, na adolescência, quando resolveu estudar teatro e fazer aulas de canto. Mas foi no meio da faculdade, quando teve a oportunidade de estagiar dentro de uma rádio, que se apaixonou por locução. Em menos de um ano, depois de fazer um curso e se dedicar bastante, já estava trabalhando como locutora profissional. E, desde então, não parou mais… Atualmente, vem se dedicando também a trabalhos como apresentadora.

RR: Qual seu percurso profissional até a JB FM.
RF: Meu primeiro trabalho como locutora foi em 2006, na Rádio Band News FM, onde fiquei por 3 anos. Como é uma rádio de All News, eu ancorava os noticiários locais, além de gravar comerciais.
Em 2008, depois de 1 ano fazendo testes, fui chamada para ser a voz padrão do canal GNT. Fui a primeira mulher a ser voz padrão do canal, que até então tinha uma voz masculina. Lá, também fiquei por 3 anos.
No início de 2010, fui indicada para fazer as férias da locutora do Vídeo Show. Foi uma experiência incrível! E em setembro do mesmo ano, a Rádio JB FM resolveu colocar uma voz feminina na sua grade e eu fui escolhida. Comecei como folguista e hoje, depois de um pouco mais de 1 ano, me tornei titular.
Além da JB FM, desde o meio desse ano de 2011, venho fazendo a voz padrão da Rádio FM O Dia, que anteriormente também só era feita por homens.

RR: Você sempre quis ser locutora ou existiam outras opções ?
RF: Eu nunca havia pensado que existia essa profissão. Na verdade, tudo aconteceu muito naturalmente e de repente. Eu sempre gostei de arte. Fiz muitos anos de dança, além de teatro e até aulas de canto, mas tive medo de investir nessa carreira. Então, resolvi fazer Comunicação Social, já que eu sabia que minha área, de uma forma ou de outra, só poderia ser essa. Foi então, que no meio da faculdade, consegui um estágio em rádio. Trabalhei por 8 meses como estagiária na área de promoção da FM O Dia e da MPB FM, que faziam parte do mesmo grupo. Foi nesse momento que me dei conta que existia a profissão de locutor. Achei que poderia ser uma opção para mim, que sempre gostei de interpretar, cantar… afinal, o locutor trabalha com a voz e com a interpretação de textos. A partir daí, passei a ouvir rádio com outros ouvidos. Eu não escutava mais as músicas, e sim , os locutores. Comecei a levar textos para casa para treinar e me gravar. Resolvi também entrar num curso de locução e acabei encontrando a Escola de Rádio e o Ruy Jobim.

RR: Existe alguém que motivou você a optar pela profissão de locutor ?
RF: Quando me encantei pela profissão, tiveram duas pessoas que me incentivaram muito a investir nessa idéia: Paulinho Altunian, locutor da FM O Dia há muitos anos, dizia que eu tinha talento e que via nos meus olhos um brilho de quem sabia o que queria e de quem iria “chegar lá”. Além dele, Rodrigo Moreno, hoje morando no sul e fazendo a alegria dos ouvintes por lá, na época também locutor da FM O Dia, me deu muita força, me ensinou o que ele havia aprendido e, principalmente, me mostrou que nada era impossível, afinal, assim como eu, ele também tinha entrado na rádio como estagiário de promoção.

RR: Qual um momento inesquecivel da sua carreira?
RF: Eu acho que todas as conquistas são inesquecíveis. Mas quando entrei pro GNT foi inacreditável! Eu tinha muito pouca experiência e, o pouco que sabia, era na área de rádio de notícias. Fiz testes com mais de 20 mulheres, entre locutoras e dubladoras, até me escolherem. Quando me avisram, depois de um ano, que havia sido escolhida, quase caí pra trás! E O GNT deu um outro rumo pra minha carreira. Aprendi muito e comecei a fazer muitos trabalhos por ser a voz do GNT.
Ah! Eu não tenho como esquecer o meu primeiro erro mais notável em rádio! Eu estava na Band News (ainda bem que no horário da noite), e fui reler uma nota. Como eu já sabia do que se tratava, relaxei no final da nota e olhei para o computador, onde iria escolher uma vinheta para colocar na sequência da minha leitura. Nesse momento, falei o seguinte: “… e o candidato à presidência da república, pelo partido “tal”, é o ex-ministro, Cristovão Colombo”. Nossa!!! Imediatamente percebi que tinha acabado de ressuscitar o pobre coitado do Colombo. Fiquei sem ração por uns 5 segundos (o que pareceu uma eternidade), abri o microfone e falei: “Perdão. Cristovam Buarque”. Desliguei o microfone e tive um ataque de riso. Eu não consegui voltar a falar. Eu ria de nervoso. Mas pra minha sorte, ninguém da rádio tinha ouvido. Só meu pai que me ligou e perguntou: “Você ressuscitou Cristovão Colombo?!” Enfim… essas coisas podem acontecer nas melhores famílias!!!

RR: Você tem algum arrependimento?
RF: Pode paracer clichê essa resposta, mas não tenho não. Existem coisas que fiz ou deixei de fazer ou dizer que, certamente, faria diferente agora. Mas acredito que sou, hoje, justamente essa soma de experiências passadas. Foram com os erros do passado, que aprendi a reconhecer os acertos. Portanto, não há do que se arrepender. Há, apenas, que se corrigir.

RR: Qual lugar do Rio você adora estar?
RF: Essa é fácil! A Lapa. Adoro samba. Adoro dançar. Adoro o estilo e a energia das pessoas que frequantam esse bairro carioca.

RR: Hoje você está no horário de 10 as 14h numa rádio que era preferencialmente de vozes masculinas na locução. Como se sente em relação a isso?
RF: Entrar na JB FM foi um privilégio e também uma responsabilidade. Foi dado um voto de confiança ao meu trabalho e, portanto, eu tinha que mostrar que a mudança (no caso, colocar uma voz feminina numa rádio que só tinha vozes masculinas) valeria a pena. Assim que entrei, só trabalhava aos sábados e domingos. E quando era preciso fazer um horário durante a semana, eu sempre fazia o horário da noite. Eles tinham receio de fazer uma mudança radical, colocando uma voz feminina no meio do dia, durante a semana. Até que em determinado momento, foi preciso que eu fizesse outros horários. E, hoje, estou todos os dias, das 10 às 14hs.
Acho que quebrei barreiras. Não só na JB FM, mas também, no GNT e na FM O Dia. Como já comentei anteriormente, fui a primeira voz padrão feminina no GNT e também na FM O Dia. Adoro essa sensação de que posso mudar alguma coisa, dar um outro rumo, enfim…

RR: Motivo de orgulho?
RF: Muito. Tenho orgulho do meu esforço e das minhas conquistas. Tudo que venho conquistando é fruto da minha determinação, da minha exigência com o meu trabalho e da incessante procura de fazer cada vez melhor. Tenho orgulho de ter encontrado pessoas e profissionais maravilhosos no meio do caminho e que acreditaram no meu trabalho gratuitamente.

RR: Atualmente no rádio carioca, quais comunicadores você admira?
RF: Apesar de nunca nem ter conversado com ele, tenho admiração pelo trabalho e trajetória de Fernando Mansur, voz padrão da rádio MPB FM e que fez história na antiga Rádio Cidade. Ele tem uma voz que “sorri” e um jeito de falar com muita naturalidade.
Paulinho Altunian, da FM O Dia, também dá gosto de ouvir. Sua locução segue uma outra vertente: a do rádio jovem popular. Ele fala com alegria, mas não precisa gritar. Ele é divertido, faz graça, mas não precisa apelar. Ele respeita o ouvinte.
Também da FM O Dia, mas de uma geração diferente, Alan Oliveira me surpreende com sua espontaneidade e sua sagacidade. Ele é esperto e criativo. Além de ter uma voz deliciosa.
E eu não poderia deixar de citar dois “monstros” da locução na minha opinião. Silvio Vasconcellos e Marcio Seixas.
Me sinto privilegiada de conhecer esses dois caras. Os dois são minha inspiração. Quando crescer, quero ser igual a eles!
Silvio é a voz padrão masculina da FM O Dia e, há anos atrás, também já fez parte da equipe de locutores da JB FM. Além de ser a voz da maioria dos canais Globosat. Sua voz é marcante e sua locução certeira!
Marcio também já foi locutor da JB FM e ainda é a voz das vinhetas da JB. Ele faz a voz padrão do Canal Brasil e é um dublador excepcional. Sua voz é inconfundível e sua locução se destaca pela facilidade com que interpreta. Ele consegue dar vida às palavras!

RR: Conselho para quem quer “fazer rádio”.
RF: O conceito de locução em rádio veio mudando com o tempo. Antigamente, se procurava vozes marcantes, hoje, se procura comunicadores. Quanto mais natural for a locução, mais perto do ouvinte se consegue chegar. É claro que é importante ter uma voz agradável, mas, mais do que isso, é preciso buscar a naturalidade. Portanto, fica a dica pra quem quer fazer rádio e locução de uma forma geral, nos dias de hoje.

COMMENTS

  • JOSEMAR DUARTE

    É ISSO AÍ RAFAELLA!!!!SEMPRE QUE POSSO TE OUÇA NA 99,9!!!! CONCORDO PRATICAMENTE COM TD QUE VC DISSE EM SUA ENTREVISTA!!! NESSE MES ESTOU COMPLETANDO 32 ANOS COMO PROFISSIONAL DE RÁDIO!!!! ABS DO COMUNICADOR AMIGO DO RJ, JOSEMAR DUARTE

  • carlos jorge

    olá rafa parabêns p ela sua grande força de vontade rafaella eu não sei se você vai lembrar de min pois tem já um tempinho por coinscidencia eu estudei junto com voçê na escola de rádios eu perdi o seu telefone rafaella se possivel eu queria entrar em contato com você desculpe alguns erros de ortografia; um beijo do seu amigo jorge

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