Monika Venerabile

“Meu sonho é transmitir o programa de dentro do carro. Queria ter uma cherokeei, ficar a tarde toda rodando na cidade e apresentando meu programa”.

Em cima da mesa, uma confusão de bilhetinhos que deverão ser lidos no ar, escritos nos mais variados tipos de papel, inclusive de maço de cigarros. Monikinha, como é conhecida por seus fãs e amigos, é um furacão dentro do estúdio. “Aqui é assim, escreveu, vai pro ar! Acabou a era da locutora. Agora é locutora, produtora, apresentadora, fofoqueira…”, ela faz graça.

RR: Monika, você trabalhou no Rádio (AM e FM), na TV, no Rio, em São Paulo… Quando e de que forma começou a sua relação com o rádio?
M: Aos oito anos eu ganhei uma buzina, um radinho de pilha e um gravador, aí eu ficava brincando de Show dos Bairros da Mundial. Eu fazia meu próprio programinha, minha própria parada de sucessos. Mal sabia eu que, por ironia do destino, aos 10 anos, eu começaria a escrever no jornal O Fluminense, de forma divertida, como uma criança que escreve num jornal infantil e enviava cartinhas reclamando de buraco na rua, do prefeito… Eu tinha minha própria coluna, o “Cantinho da Monika”, e ali fui premiada como a mais nova repórter do estado do Rio de Janeiro, virei uma espécie de minicelebridade da imprensa carioca. Quando eu tinha 12 anos, O Fluminense comprou a rádio Fluminense. Aí disseram pra mim que, já que eu escrevia pra um jornal, agora eu ia falar na rádio. Aos 14 eu já era repórter, cobria o preço da batata na feira, cobria eventos, polícia. Com 15 anos eu estava enlouquecida para fazer rádio FM, quando então surgiu o projeto da “Rádio Maldita”. Dos 17 pros 18, como não existiam muitas mulheres no rádio, a não ser as de voz sexy, eu virei referência de comunicação no projeto da Fluminense. Todas as locutoras queriam falar como eu falava e eram treinadas pra isso! E assim nasceram uma geração de Monikas, de novas vozes, e eu fiquei muito encantada de poder ter uma equipe assim, fazer parte de uma equipe só de mulheres.
RR: Apesar de ter começado muito jovem na profissão, você pensou, em algum momento, em fazer outra coisa da vida?
M: Uma vez no rádio, eu acho que é pra sempre. É uma magia da comunicação que não se esgota, porque nenhum dia é igual ao outro.

RR: Você começou na Fluminense FM, a “Maldita”, que era uma rádio rock n’roll, e hoje está na Nativa, que tem uma pegada completamente diferente, de caráter mais “povão” mesmo. Como foi, pra você, essa mudança?
M: Na Nativa eu ampliei minha visibilidade, minha imagem, e experimentei sensações verdadeiramente brasileiras. O Cidade do Rock e a vida da Monika como rock n’roll tiveram importância no lançamento do rock brasileiro, que entrou em decadência a partir dos anos 90. Não havia mais sentido eu ficar americanizada, ser a “Venerabile”, enquanto, na verdade, era legal ser a “Monikinha”, um ídolo popular, amiga da dona de casa, do motorista, da turma do serviço, mas também dos empresários, e isso pra ampliar mesmo os meus horizontes profissionais e provar que o meu coração é comunicação, não importa o estilo.

RR: Você já foi apresentadora do Vibração, que passava no canal 9 carioca, já fez uma participação no extinto programa Realce, do Ricardo Bocão e do Antônio Ricardo… Conta pra gente um pouco dessa sua ligação com os esportes radicais.
M: Quando eu era jovem, pedalava de Icaraí à Itacoatiara todo dia, são uns 30Km cheios de subidas, daí eu ia agarrada na traseira de ônibus. (risos) Era prancha de surf, bicicleta, mergulho…

RR: E hoje, você continua pegando onda?
M: Hoje eu gosto muito de cuidar do meu jardim, da piscina. Amo a natureza, faço trilha todos os dias no fim da tarde, me aventuro pelo mato noite adentro – mas eles (da Nativa) não sabem, não, eles pensam que eu sou uma pessoa séria, só porque eu parei de falar palavrão, mas a verdade é que eu ainda sou doida (risos). Ah, sim, e quando chego em casa, vou lavar roupa, lavo muita roupa, essa é a minha vida (risos).

RR: Nós falamos muito de passado… Mas e hoje, você está onde você gostaria de estar, profissionalmente falando?
M: Todos os dias eu agradeço por estar na rádio que eu queria, que eu escolhi. Eu já era ouvinte da Nativa e, no formato em que a 98FM se transformou à época, que era funk – outro tipo de público, outro tipo de objetivo –, eu achei que seria um passo atrás eu voltar a falar com jovem, que é hoje o target da BEAT. O que eu queria mesmo era amadurecer com o Rádio, então, estar ao lado da Tupi, onde eu já tive uma oportunidade de ter um programa aos domingos, e de estar com gente que gosta de rádio de verdade, eu me sinto no último dos redutos formado por grandes radialistas de fato.

RR: Se você pudesse escolher um momento da sua carreira para reviver, qual seria?
M: Que difícil essa… Não posso falar na frente do Zé (Costa), porque ele vai ficar com ciúmes, mas é que eu gostava muito de fazer dupla com o Emílio Surita. Hoje serve o Zé (risos). Reviver aquela dupla que movimentou São Paulo… A gente fez tanta loucura, a gente bateu recorde na AMÉRICA LATINA! Foi, realmente, um grande momento.

RR: Se você pudesse começar tudo de novo, você ainda sim seria radialista?
M: TUDO DE NOVO! Desde o radinho com a buzininha (risos).

RR: E se você não fosse radialista, você seria…?

M: Eu seguiria a vontade do meu pai. Ele queria que eu trabalhasse no Banco do Brasil, e, aliás, ele estava muito certo (risos). Mas ainda tá em tempo… Quem sabe, quando eu aposentar, quem sabe não faço concurso (risos).

RR: Você acha que, hoje, a mulher conseguiu ganhar espaço nas rádios e que esse espaço é igualitário?

M: A gente até tem, por exemplo, a Portuguesa (Ana Paula), linda, maravilhosa, salve, salve! Mas ela é coadjuvante. Eu quero apresentadoras, quero guerra, quero sangue no rádio, mulheres disputando (risos)! Porque, de manhã, não tem outra mulher no rádio, só eu, aí o povo é obrigado a ouvir a Monikinha (risos). Meninas, vamos mostrar que nós temos valor, voltem para o rádio, por favor!

Entrevista realizada por Thayz Guimarães
Para edição n°08 da Rádio em Revista

COMMENTS

  • Iágo Guedes

    Monika você marcou época para a rapaziada que naquela época do rock e Fluminense FM foi mágico, com aquele bom dia de rock roll. Uma vez a ví na veterana noite Lê Villaje outro lugar especial e tinha tudo a ver naquele é tempos. Parabéns por sua perseverança na profissão. Muito sucesso pra você!

  • luis claudio

    eu claudinho de santa cruz zona oeste venho desejar a você um ótimo aniversario e muitos anos de vida sou seu fã e fã da radio nativa o amor do rio gostaria que em seu programa me manda-se um beijo eu te amo ,todos curtem vocês , queria manda uma musica do grupo menudo : nome da musica Doce beijo para dedicar a Doutora Carla com carinho, de santa cruz na comunidade do Rollas 1.

  • Monika Venerabile é uma profissional admirável e que história que ela tem feito no rádio! Tenho ela como um exemplo de mulher e pessoa publica a ser seguido.

  • Wander

    Estava eu fuçando o (às vezes bom, outras interessante e geralmente chato) face, quando vi o post do RR. na hora cliquei e li essa entrevista que me fez viajar no tempo, sentindo o cheiro das ruas na década de 80, qdo ía de rádio em rádio feito carrapato. Conheci Monikinha, Kaka, Adriana, Selma, carlos Alberto, Jairo, Christovam e outras feras (uns mais doidos que outros) que são os CULPADOS por eu estar onde estou. Sou do Rio (graças à Deus) mas desde 89 moro em Vitória-ES. Em 1999 tive a chance de voltar pra casa e trabalhar na Jovem Rio com kaka e Christovan. No ano seguinte entrei na Pan (O retorno), onde fiquei por 1 ano. Voltei ao ES e em 2006, mais uma vez graças ao “Tio Chris”, voltei ao Rio, dessa vez no projeto Multishow FM. Foi mais 1 ano até eu resolver vir de vez pra Vitória. Mas o lance é que, NAS DUAS VEZES em que estive de volta ao Rio, eu SEMPRE procurava saber onde estava e o que estava fazendo a Monikinha. Sempre a admirei e NUNCA vou esquecer os comerciais da Company, o jargão “Salve salve juventude!” entre outras sacadas que só quem sabe faz. E ela sabe MUITO! Hoje estou na Mix Fm, mas estou sempre ouvindo os poucos bons profissionais que nunca mais serão pessoas normais, pois estão sempre embriagados com essa “cachaça” (e da boa) que é o rádio. E à vcs do RR, parabéns por essa e outras boas publicações. Grande abraço!

  • Falar o que da Monikinha a RAINHA do dial sou suspeito para falar dela ,seu carisma ,seu carinho pelo ouvinte e seu conhecimento por tudo q se refere a radio NOSSA MUSA !!!!!

  • Até que enfim! Meu Deus será um milagre do Papa?Finalmente pude ler esta matéria pois eu estava ouvindo e assistindo quando foi feita esta entrevista. Olha quando mais eu leio sobre ela mais eu me encanto por ela. ELa é simplesmente maravilhosa. Conheço essa voz(mudou muito esta mais bonita,suave,doce mais tudo de bom) desde a Rádio Cidade,98 FM quando surgiu maldida Fluminense eu ouvi falar de uma rádio só de vozes femininas,chequei a sintonizar só que na época eu gostava mesmo era de música americanizada a minha irmã ouvia muito, mais hoje eu iria agir diferante bem diferente mesmo. Eu lembro que teve alguns programas que ela participou que me chamou muito a atenção (Realce) mais eu quase não assistia televisão eu ouvia muito era rádio até hoje é assim. Ela é uma marca registrada do rádio. Eu sou uma fã daquelas do tipo mala bem pesada. Estou louca para conhece-la pessoalmente. Ela é locutora do sonho de qualquer ouvinte. Sou capaz de trocar de time mais de LOCUTORA NÃO TROCO MESMO NUNCA,JAMAIS.

  • Carlos Calderon

    Como é legal conhecer pessoas,ainda mais com histórias fascinantes de um começo de carreira,de amor pelo trabalho,de pessoa que faz o que gosta e gosta do que faz,meus parabéns e vc agora tem mais um fã no RIO GRANDE DO SUL.

Leave a Comment