Cabeção


O locutor Fernando Ribeiro, conhecido como Cabeção, apresentava o programa Alegria FM na Rádio FM O Dia.

Por que o apelido “Cabeção”? De onde surgiu essa brincadeira?
O apelido surgiu quando eu entrava no ar às 5h da manhã e gritava “Acooooorda, cabeção!”. Afinal de contas, quem acorda a essa hora, acorda com a cabeça “inchada”. Eu tinha essa mania de chamar os outros de cabeção e as pessoas passaram a me chamar assim também. Quando fui fazer o carnaval na Band do Rio, o âncora da Rede era o Fernando Vanucci e a direção falou que não poderiam ter dois Fernandos no ar. Com isso, ele chamava: – Vamos ao Rio de Janeiro com o Cabeção. E aí ficou Cabeção até hoje!

RR: Quando você entrou no ar pela primeira vez? Qual foi a sensação?
Comecei no Rádio como DJ no Programa da Furacão 2000 em 1986. Tive que me afastar por causa do Quartel e só voltei para o Rádio em 1993 na Costa Verde FM em Itaguaí.Quando entrei no ar como locutor, foi uma loucura. Além da tremedeira, foi uma emoção muito grande, afinal, estava realizando o maior sonho da minha vida!

Como você enxerga a importância e o posicionamento do rádio hoje, quando vivemos numa era de convergência das mídias para a Internet?
O Rádio, pra mim, continua sendo o melhor veículo de comunicação. É informação e entretenimento em tempo real. Poucos são os programas de Rádio que são gravados. A maioria é ao vivo. Quanto a convergência para a Internet, a maioria das Rádios está investindo nesse mercado. Todas tem site, Facebook, etc. Quer dizer, estão na internet e no Rádio ao mesmo tempo!

Você é a favor da digitalização do rádio?
Na realidade, o novo assusta muito. Lembro da época dos cartuchos que pareciam insubstituíveis.
O surgimento dos MDs, DATs… Confesso que quando entramos na era do computador, eu dei uma “tremida”, pensei que iria travar. A idéia da Rádio Digital ainda precisa de muitos esclarecimentos e, claro, investimentos.

Muito se discute sobre a exigência ou não do diploma de jornalismo. Pra você, o que é um comunicador de verdade? Você acha que o profissional dessa área precisa passar pelo banco da academia? Isso faz alguma diferença?
Um comunicador de verdade é aquele que consegue expressar os seus sentimentos, aquele que consegue conversar com o ouvinte, aquele que passa credibilidade e consegue ser verdadeiro. Resumindo, aquele que ama o que faz. Quanto ao Diploma de Jornalismo, é sempre bom você buscar o conhecimento para melhor desempenhar o seu papel dentro de uma Rádio, mas o comunicador nasce comunicador. É como jogar futebol, ou sabe jogar ou não.

Você é locutor da FM O Dia e colunista do jornal Meia Hora. Você acha que essa tendência à formação de profissionais multimídia, hoje, é a melhor solução?
Com certeza! O Radialista deve sempre buscar novos horizontes, seja em jornais e principalmente na televisão. Os melhores apresentadores de Televisão passaram pelo Rádio.

Que momento da sua carreira que você destacaria como o mais importante, mais especial?
Quando você ama o que faz tem muitos momentos emocionantes. Consegui entrevistar artistas que eu era fã, consegui fazer programas na TV, ao vivo, em Rede Nacional, mas eu vou destacar a apresentação da Promoção Gol de Placa no Maracanã.Já tinha apresentado eventos para públicos muito maiores, mas foi o maior palco que me apresentei, eu usava o campo inteiro, correndo de um lado pro outro. Foi emocionante.

Que dica você daria para aqueles que gostariam de ser locutores/ radialistas?
Nunca desista do seu sonho. Faça na vida aquilo que mais gosta de fazer, aquilo que te dá prazer e que você faria até de graça. Agora, faça tão bem que um dia irão te pagar por isso. Beijos e beijos!

Entrevista realizada para a edição nº 07 da Rádio em Revista (MARÇO/ABRIL 2013)

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