DJ Leandro Petersen


A semelhança de Leandro Petersen, filho do saudoso Big Boy que tinha 8 meses de vida quando o pai se foi, vai além da aparência: ele também é DJ.

O que você faz hoje em dia?
LP: Trabalho como produtor de TV, na rede Globo. Também dou uma de DJ na festa “Soul, baby, Soul” em parceria com os DJs Sir Dema e Lucio Branco.

BM: O que tem guardado do seu pai Big Boy?
LP: Praticamente todo o acervo dele fi cou comigo. Tudo o que minha mãe guardou quando ele morreu, o que inclui os discos de vinil (cerca de
20000 entre compactos e LPs), as fitas cassette (muitas delas com entrevistas interessantíssimas, de nomes como Mick Jagger, Wilson Pickett, James
Brown, Chico Buarque, etc), fotos e matérias para jornais e revistas da época.

BM: Como era o Newton Alvarenga Junior como pai?
LP: Infelizmente não o conheci, pois quando ele morreu eu tinha apenas 8 meses.

Qual mensagem, ensinamento que ele deixou para a sua vida?
LP: Mesmo não o tendo conhecido pessoalmente, a história dele é interessantíssima, um cara que fazia o impossível para levar adiante sua paixão pela música. Desde matar aula para comprar discos em SP, quando garoto, até percorrer os quatro cantos do mundo em busca de novidades para tocar na rádio, depois de radialista consagrado. Acho que ficou a mensagem da perseverança, de acreditar em seus sonhos perseguirseus objetivos até a última instância. Eu penso muito nisso no meu dia-adia.

Qual influência o Big Boy deixou na sua vida.
LP: A influência dele foi enorme, principalmente através dos discos, que eu escuto até hoje. Com ele eu aprendi que você deve levar o seu gosto a sério, tocar o que você realmente gosta e acredita, ao invés de ceder às pressões do mercado. Isso lhe dá personalidade. Eu procuro seguir isso como DJ, a Soul, baby, SOUL! é um exemplo disso: um baile black baseado em funk dos anos 70, mas que cativa um público amplo há quase 7 anos justamente porque é autêntico.

O que as pessoas mais querem saber dele?
LP: Essa é uma pergunta difícil. Na verdade, o que eu mais ouço é o que as pessoas SABEM dele. Chega a ser engraçado, toda vez que alguém mais velho que eu descobre de quem eu sou filho vem uma história boa pela frente. Ele foi muito importante na vida de muita gente, porque música
marca muito a vida das pessoas, traz lembranças… Eu passei a minha vida inteira ouvindo essas histórias, e ouço até hoje.
Acho inclusive que foi através desses relatos que eu construí a minha imagem do Big Boy, que eu pude conhecer um pouco quem foi o meu pai. E isso é muito gratificante, porque só vem coisa positiva dessas lembranças, dá para perceber oquanto ele era querido não só como pessoa pública, mas no âmbito pessoal também.

Entrevista feita para Rádio em Revista n°06.
Transcrição.

COMMENTS

  • ELIANA MARQUES ALMEIDA

    ADOREI, INTERESSANTE A FORMA E ESTILO. UM ARQUIVO VIVO SOBRE RÁDIO NA INTERNET. PLASTICAMENTE É BONITO. GOSTEI.
    ABRAÇOS

  • Raul Coutinho

    Apreciei muito a entrevista com o Leandro Petersen. Gostaria de dizer que fui colega de sala do pai dele, no Colégio Paissandu, no começo dos anos 50, no Bairro de Flamengo, no Rio de Janeiro. Éramos colega de carteira, um menino tímido, que mais tarde se transformou no sucesso que foi como Big Boy. Envio meui abraço ao DJ Leandro Petersen.

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