Duas décadas sem Danilo Bahia

danilo bahia - imagem reproduzida do arquivo da rádio globo
Danilo Bahia – imagem do arquivo da Rádio Globo

Nesta quinta-feira (30/06) a morte de Danilo Bahia faz vinte anos. Um dos maiores repórteres esportivos da história do rádio morreu em dia de alegria para milhões de pessoas – e, se se pode falar em justiça poética no futebol e na vida, isso aconteceu a ele em seu passamento. Nunca tendo escondido sua paixão pelo Flamengo, expirou durante a decisão do Campeonato Carioca de 1996, vencido pelo rubro-negro de forma invicta após empate de 0x0 com o Vasco. Ele estava internado havia semanas, e a noticia alastrou-se pelo Maracanã por meio da Rádio Tupi, cujo narrador principal à época, o paulista exilado Oswald Maciel, embargou a voz, e chegou até gramado no qual os jogadores ainda disputavam o primeiro tempo. Após o jogo, Romário, que pôs uma segunda faixa no peito, a de artilheiro com 26 gols, expressou publicamente tristeza com a morte de Danilo, conforme registro do jornal O Globo: “Héroi maior da conquista rubro-negra, Romário admitiu que a alegria não foi completa. Em pleno primeiro tempo ouviu que o radialista Danilo Bahia, da Rádio Tupi, que se encontrava hospitalizado, falecera. ‘Esse título eu dedico ao Danilo. Gostava muito dele, que Deus o guarde bem’. Na tarde de sábado, Romário e membros da diretoria do Flamengo foram visitar Bahia, numa clínica em Botafogo”.

Os principais jornais noticiaram a morte de Danilo Bahia – que era responsável pela cobertura do Flamengo – não somente imbricada com a fala de Romário, mas também em separado, com destaque para sua carreira exitosa. No Jornal do Brasil houve chamada na primeira página e, na editoria de Esportes, Oldemário Toguinhó dedicou-lhe um comovente texto na primeira pessoa. Danilo estava na Rádio Tupi desde 1988, levado por Luiz Penido, numa das maiores movimentações do rádio esportivo carioca, quando o narrador deixou a Rádio Globo e, ao transferir-se para a concorrente direta, tirou da emissora da Rua do Russel boa parte de seu casting esportivo. (Em 2012, Penido retornou à Globo).

Natural de Bambuí, no interior de Minas, Danilo Bahia começou a carreira na Rádio Itatiaia, em meados dos anos 70. Chegou ao Rio em 1977. Teve passagem breve pela Tupi e, após ser contratado pela Radio Globo, destacou-se primeiramente na equipe de Waldir Amaral e Jorge Curi e depois na de Garotinho José Carlos Araújo. No início dos anos 90, foi apresentador titular do “Giro Esportivo” – programa criado por Penido em 1988 e ainda hoje na grade de programação da Tupi – e compôs, ao lado de Eraldo Leite, a dupla principal de reporteres de campo.
Tinha apenas 43 anos quando sua voz grave – aliada a dicção perfeira, hagilidade ao falar, visão de jogo apurado e faro jornalístico – silenciou-se. Numa era repleta de nomes consagrados e audiência impensável para os tempos hodiernos, Danilo Bahia firmou-se como um dos grandes.

Bruno Filippo -Jornalista, sociólogo
junho/2016