Dóris Monteiro (rainha de 1956 a 1958)

DORIS-MONTEIRO

Adelina Dóris Monteiro nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 21 de Outubro de 1934.

Começou cantando fados em programas infantis, estreando como intérprete a 31 de outubro de 1949 no programa de calouros Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde interpretou Bolero, imitando Lucienne de Lille.

Em 1951, quando estudava no Colégio Pedro II, foi convidada pelo cantor Orlando Correia para cantar na Rádio Guanabara; permaneceu um mês na emissora, passando em seguida, graças a Alcides Gerardi, para a Rádio Tupi, onde trabalhou oito anos.

Nesse mesmo ano, começou a cantar na boate do Copacabana Palace Hotel e fez sua primeira gravação, pela Todamérica, interpretando Se você se importasse (Peterpan), que foi também seu primeiro sucesso.

Em 1952, eleita Rainha dos Cadetes, gravou outro sucesso: Fecho meus olhos, vejo você (José Maria de Abreu).

No ano seguinte, convidada por Alex Viany, estrelou o filme Agulha no palheiro, cantando a música do mesmo nome e sendo premiada por sua atuação como atriz.

Casou, em 1954, com Carlos Rui Meneses e, nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP, “Vento soprando”, na Continental, interpretando, entre outras, Graças a Deus (Fernando César) e Joga a rede no mar (Fernando César e Nazareno de Brito).

Foi uma das estrelas da TV Tupi em 1955, apresentando um programa que levava seu nome. Em 1956 grava Mocinho Bonito, de Billy Blanco – uma das músicas mais marcantes do seu repertório. Eleita Rainha do Rádio.

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Doris Monteiro recebendo a faixa de Vera Lúcia em 1956

Dóris Monteiro em 1957 já era uma grande estrela, e havia sido eleita Rainha do Rádio por dois anos consecutivos.

Seu “fio de voz”, como diziam alguns colegas, era também a marca de uma cantora moderna e sofisticada, que sabia ser ao mesmo tempo simples e sofisticada, e muito popular, agradando a todos os ouvintes, técnicos, produtores e colegas músicos da nossa Era do Rádio.

O LP de Dóris Monteiro, no formato de 10 polegadas, lançado em 1957, traz em seu repertório, entre outras preciosidades, a gravação original de “Mocinho Bonito”, um clássico de Billy Blanco, grande sucesso na época e considerada como uma das gravações inaugurais da bossa nova.

Além de cantar Doris também atuou frente ao microfone como locutora e disc-jokey e também fez sucesso nas telas de cinema como atriz, chegando a ganhar prêmios. Uma bela trajetória.

Ainda nos anos 40, podia ser apenas uma menina com a mãe sempre ao lado “de guarda”, mas quando cantava, transmitia poesia pelas ondas do rádio. E é assim no disco lançado em 1957.

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Doris registrou duas composições de Maysa, que recém havia surgido no cenário musical como um furacão de sucesso e expressão artística. São duas músicas do primeiro disco da Maysa, lançado um ano antes: “Marcada” e “Resposta”.

Duas belas composições, que ao ganharem interpretação da já experiente colega, são prova do quanto reverenciada Maysa foi no meio musical, ao mesmo tempo em que fazia enorme sucesso popular.

As interpretações de Dóris Monteiro para estas duas canções são belíssimas, muito particulares, com toda a sua personalidade musical.

Vale lembrar que Maysa ainda não havia gravado nem o seu segundo LP quando Dóris Monteiro lançou este. Uma bela homenagem, que deixou Maysa muito feliz. Que compositor não gostaria de ter uma música sua interpretada por Dóris Monteiro? Elas chegaram a dividir o microfone nesta época em programas no rádio.

Em 1971 participou, ao lado de Emilinha Borba, Ivon Curi e Zezé Gonzaga, de espetáculo comemorativo dos 70 anos do rádio no Brasil, escrito e dirigido por Ricardo Cravo Albin, e encenado no Teatro do BNDES, com grande sucesso, interpretando o início de sua carreira, famosa na época por usar uma única trança no cabelo, quando estava sempre acompanhanda por sua mãe, que não a deixava sozinha um momento sequer.

Em 1992, gravou pela Sony Music o CD “Samba canção”, da série Academia Brasileira de música, com estaque para “Chove lá fora”, de Tito Madi, “Ronda”, de Paulo Vanzolini, “Jura secreta”, de Sueli Costa e Abel Silva, “Manhã de carnaval”, de Antônio Maria e Luiz Bonfá, e “Pra você”, de Sílvio César.

Em 2002, fez show na Sala Baden Powell, em Copacabana dentro da série “Na hora do chá”, da RioArte. Em 2003, apresentou-se com Miltinho em show no Centro Cultural Banco do Brasil cantando antigos sucessos dos anos 1950 como “Palhaçada”, de Luiz Reis e Haroldo Barbosa.

Em 2004, em comemoração aos seus 70 anos, foi presenteada pelas gravadoras Universal e EMI com o relançamento em CD de doze de seus melhores discos. Na ocasião, realizou dois shows de lançamento no Bar do Tom, em Ipanema.

Em 2008, abriu a temporada de shows do projeto “Adoniran – Oito e meia” no Memorial da América Latina, em São Paulo. Na ocasião, acompanhada pelo tecladista Ricardo Júnior, interpretou diversas canções da fase de ouro do rádio brasileiro, entre as quais, “Mocinho Bonito”, de Billy Blanco, “Valsa de uma Cidade”, de Antonio Maria, “Copacabana”, de Braguinha e Alberto Ribeiro, “Conversa de Botequim”, de Noel Rosa, e “Se Todos Fossem Iguais a Você”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Em 2012, participou, juntamente com as cantoras Sonia Delfino e Ellen de Lima, da homenagem prestada no Instituto Cultural Cravo Albin à cantora Marlene, por ocasião do 90º aniversário natalício da mesma com a exposição “Marlene – 90 anos de glórias”. Na ocasião, foi realizado um espetáculo com o grupo Cantoras do Rádio. Nesse espetáculo, interpretou solo os sambas “Nasci para bailar”, de Joel de Almeida, “Morana filosofia”,  de Monsueto e Marcléo, e “Saudosa maloca”, de Adoniran Barbosa. Em conjunto com Ellen de Lima e Sonia Delfino cantou os sambas “Zé Marmita”, de Luiz Antônio e Brasinha, e “Se é pecado sambar”, de Manoel Santana, e as marchas “Sapato de pobre”, de Luiz Antônio e Jota Júnior, e “Lata d’água”, de Luiz Antônio e Jota Júnior. Em 2013, apresentou-se na casa de espetáculos Miranda, zona sul do Rio de Janeiro, no show “Uma noite para Dolores Duran” – com Rodrigo Faour convidados.

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