Dircinha Batista (rainha em 1948)

dircinha batista
Dircinha Batista

Filha caçula do ventríloquo, cantor e compositor Baptista Júnior e irmã da também cantora Linda Batista. Começou a conhecer música com sua mãe, Emília Grandino de Oliveira, conhecida como D. Neném, que cantava para ela as músicas da época. Seus pais mudaram para o Rio de Janeiro antes de suas filhas nascerem. Desde muito pequena demonstrou pendores musicais.

Começou a se apresentar em público em 1928, com apenas 6 (seis) anos de idade, em São Paulo, após ser ouvida por Jayme Redondo e Raul Roulien, que se encantaram com sua voz e a incluíram em número musical no Teatro Santana. No mesmo ano, participou de um festival no Cine Boulevar, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro e de um show em homenagem a Iolanda Pereira, primeira brasileira escolhida como Miss Universo.

Em 1930, aos 8 anos estreou na Rádio Educadora paulista, e, em seguida, apresentou-se na Rádio Record.

Em 1931, passou a atuar juntamente com o pai na Rádio Cajuti do Rio de Janeiro no programa dirigido pelo cantor Francisco Alves, recebendo cachê de 30 mil réis, equivalente aos dos grandes astros da época.

Em 1933 transferiu-se para a Rádio Clube do Brasil, assinando contrato de 450 mil réis.

Em 1934, passou a atuar na Rádio Mayrink Veiga, onde foi apelidada pelo locutor César Ladeira de “Bombonzinho”, que anos depois, viraria título de peça teatral e de filme.

Em 1937, foi contratada pela recém inaugurada PRE-8 Sociedade Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Em 1940 saiu da Rádio Clube e assinou um contrato milionário com a Rádio Ipanema.

Em 1941, viajou para Belo Horizonte acompanhada do pai e se apresentou na Rádio Inconfidência e participou de um festival no Cine Paissandu sendo acompanhada em coro pela platéia em todas as músicas que cantou. No mesmo ano, deixou a Rádio Ipanema antes do fim de seu contrato e retornou para a Rádio Mayrinck Veiga.

Em 1943, sua carreira sofreu um abalo com a morte do pai em maio, o que a fez se afastar da vida pública por algum tempo, ficando sem gravar até o ano seguinte. Em agosto, fez nova viagem à Belo Horizonte. Pouco depois, estreou no programa “Caleidoscópio”, de Carlos Frias, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro.

Em 1944, estreou na Rádio Tupi, ao lado de Dorival Caymmi, o programa “Cancioneiro do Brasil”. Como rádio-atriz, atuou na novela “Meu amor”, de Hélio Soveral, apresentada na Rádio Tupi.

Linda Batista passando a faixa de Rainha do Rádio para a irmã, Dircinha Batista em 1948
Linda Batista passando a faixa de Rainha do Rádio para a irmã, Dircinha Batista em 1948

Em 1948, foi escolhida em concurso da Associação Brasileira de Rádio, com o patrocínio do jornal A Noite, como a “Rainha do Rádio“, substituindo assim, a irmã Linda Batista, eleita por dez anos seguidos.

Em 1952, lançou com grande sucesso, o samba canção “Nunca…”, de Lupicínio Rodrigues. No mesmo ano, foi escolhida para participar da inauguração da TV Tupi no Rio de Janeiro. Também em 1952, deixou a Rádio Tupi após oito anos e ingressou nas rádios Nacional, onde estreou no “Programa César de Alencar” e Rádio Clube do Brasil, onde tornou-se a estrela do programa “Recepção”, produzido por Eugênio Lyra Filho, com direção do maestro Alceu Bochino, onde eram homenageados os grandes compositores brasileiros, com suas músicas interpretadas por ela, que tinha que aprender de oito a dez músicas por semana.

Em 1953, foi homenageada pela SBACEM e pela UBC, com um troféu e uma placa de prata, em virtude do êxito do programa “Recepção”, apresentado por ela na Rádio Clube e participou do filme “Carnaval em Caxias”, da Atlântida, dirigido por Paulo Wanderley.

Em 1955, passou a estrelar o programa “Galeria musical Samba”, na Rádio Nacional e participou do filme “Guerra ao samba”, dirigido por Carlos Manga.

Em 1956, retornou ao programa “Caleidoscópio”, da Rádio Tupi.

Durante a década de 60, atuou na TV Tupi como repórter e animadora de programas. Em 1965, participou no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, juntamente com diversos outros artistas, de um show de despedida de Sílvio Caldas.

No final dos anos 60 foi se afastando gradativamente da vida artística. Nos anos 1970, passou a viver recolhida com as duas irmãs em um apartamento em Copacabana. Nos últimos anos de vida, especialmente após a morte da irmã Linda Batista, foi acometida de profunda depressão.

Faleceu em junho de 1999.

Fonte: Dicionário MPB

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