Dalva de Oliveira (rainha em 1951)

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Dalva de Oliveira

Nasceu em 5 de maio de 1917 em Rio Claro – SP, filha mais velha de Mário de Oliveira e Alice do Espírito Santo. Seu pai, que era conhecido na cidade pelo apelido de Mário Carioca, era marceneiro e músico nas horas vagas, tocava clarinete e costumava realizar serenatas com seus amigos músicos, chegando a organizar um conjunto para tocar em festas. A pequena Vicentina gostava de acompanhá-lo nessas serenatas.

Uma das grandes estrelas dos anos 1940, 1950 e 1960, sendo considerada uma das mais importantes cantoras do Brasil. Dona de uma poderosa voz, cuja extensão ia do contralto ao soprano, marcou época como intérprete.

Iniciou sua carreira em São Paulo. Depois de terminar o serviço de faxina do salão de danças em que trabalhava, costumava cantar algumas músicas, tentando tirar melodias ao piano. Um dia, foi ouvida pelo maestro pianista, que a convidou para cantar numa “troupe”, chefiada por Antônio Zovetti. “Era um cirquinho de tablado”, segundo depoimento da cantora, que correu várias cidades de São Paulo, até chegar a Belo Horizonte, MG. Sua participação acontecia nos intervalos dos espetáculos, quando era anunciada como “A menina prodígio da voz de ouro”. Sua mãe foi junto, a convite do próprio empresário. Foi nessa época que passou a usar o nome de Dalva, sugerido pela mãe, pois Zovetti achava que seu nome não era bom para uma cantora. Assim, passaram a anunciá-la como a “doçura de voz da menina prodígio: a estrela Dalva!”

Em Belo Horizonte aconselharam-na a fazer um teste na Rádio Mineira. Foi aprovada, mas, com a dissolução do Circo Damasco, voltaram a São Paulo.

O maestro aconselhou sua mãe a ir para o Rio de Janeiro, dizendo que a menina tinha futuro e que na Capital Federal teria mais chances. No Rio de Janeiro, empregou-se como costureira numa fábrica de chinelos, da qual um dos proprietários, Milton Guita, conhecido como Milonguita era diretor da Rádio Ipanema.

Gostava de cantar enquanto trabalhava e Milonguita um dia a ouviu. Convidou-a, então, para um teste na Rádio Ipanema. Foi aprovada e logo depois transferiu-se para as Rádios Sociedade e Cruzeiro do Sul, onde cantou ao lado de Noel Rosa. Depois, passou pela Rádio Philips e finalmente conseguiu trabalho na Rádio Mayrink Veiga. Na época, Adhemar, diretor da rádio, levou-a para conhecer o maestro Gambardella, que apesar de achar que ela possuía potencial para tornar-se uma cantora lírica, aconselhou-a a manter-se como cantora popular.

Trabalhou na Cancela, em São Cristóvão, num teatro regional onde ela apresentava números imitando a atriz Dorothy Lamour. Foi lá que conheceu Herivelto Martins,que atuava com o parceiro Nilo Chagas, formando a Dupla Preto e Branco. Ali, fez os primeiros números com a dupla. Logo depois, Herivelto Martins foi contratado para trabalhar no Teatro Fênix, de Pascoal Segreto, e propôs a ela que viesse cantar com ele e Nilo, formando então um trio. Começaram então um namoro. No início o trio chamava-se Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco. Foi César Ladeira que sugeriu que trocassem o nome para Trio de Ouro. Foram então contratados pela Rádio Mayrink Veiga e gravaram o primeiro disco em 1937, na Victor, com a batucada “Itaguaí” e a marcha “Ceci e Peri”, ambas de autoria de Príncipe Pretinho. Na época em que gravaram o disco, estava esperando seu primeiro filho, e o público escrevia pedindo que, se fosse um menino, eles o batizassem de Pery, e, se fosse menina, Ceci. Foi o que aconteceu quando deu à luz ao futuro cantor Pery Ribeiro.

Dalva de Oliveira e Herivelto Martins

Em 1938, transferiram-se para a Rádio Tupi e para a gravadora Odeon lançando o samba-toada “Iaiá baianinha”, de Humberto Porto e o “Batuque no morro”, de Herivelto Martins, Humberto Porto e Ozon. No mesmo ano, o trio formado com a Dupla Preto e Branco passou a chamar-se Trio de Ouro.

Na década de 1940 atuaram no Cassino da Urca e no Cassino Icaraí, onde conheceram Orson Wells de quem Herivelto Martins seria assistente de produção do filme inacabada “It’s all true”, de 1942. O cineasta muitas vezes dormiu, por estar bêbado, na casa do casal, que ficava na Av. São Sebastião, atrás do Cassino da Urca,conforme testemunhou Herivelto Martins ao crítico R. C. Albin.

Em 1949, separou-se de Herivelto Martins durante uma excursão à Venezuela com a Companhia de Derci Gonçalves e o Trio de Ouro se desfez. Ficou ainda naquele país, apresentando-se com o maestro Vicente Paiva, por mais um ano.

Retornou ao Brasil em 1950, quando a gravadora Odeon a rejeitou, pois os produtores não acreditavam em sua carreira solo. Foi Vicente Paiva, na época um dos diretores artísticos da gravadora, que lhe deu seu aval, dizendo que se o samba “Tudo acabado”, de J. Piedade e Osvaldo Martins não estourasse, ele se demitiria. O samba, de fato, foi um grande sucesso na voz dela, inaugurando uma duradoura batalha musical com Herivelto Martins, com os dois usando a música para se acusarem mutuamente pelo fracasso do casamento.

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Em 1951 foi eleita Rainha do Rádio.

Excursionou pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. Foi nessa ocasião que conheceu o empresário Tito Clemente, seu futuro marido.

A cantora vinha sempre ao Rio de Janeiro, para temporadas artísticas em rádios e teatros. No ano de seu regresso ao Brasil, lançou o LP “Tangos volume II”, e que trazia tangos como “Estou enamorada”, de José Marquez e Oscar Zito, com versão de Romeu Nunes e “Vida minha”, com versão de Cauby Peixoto.

Em 1965, lançou o LP “Rancho da Praça Onze”, cuja música título, de Chico Anysio e João Roberto Kelly foi um dos destaques do ano. No mesmo disco estavam “Hino ao amor”, versão da música de Edith Piaf; “Junto de mim”, de Alberto Ribeiro e José Maria de Abreu, “Fracasso”, de Fernando César e Nazareno de Brito e “Ser carioca”, de Fernando César.

Dois nos depois lançou o LP “A cantora do Brasil”que marcou seu retorno ao disco após o afastamento provocado pelo acidente. Nesse disco, gravou a marcha “Máscara negra”, de Pereira Matos e Zé Kéti, um dos maiores sucessos de sua carreira e que foi uma das mais executadas no carnaval daquele ano, tendo conquistado o 1º lugar no concurso de músicas para o carnaval criado naquele ano pelo MIS do Rio.

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Em 1968, lançou o LP “É tempo de amar”, com destaque para “Andorinha”, de Sílvio Caldas, “Pela décima vez”, de Nole Rosa, “Tudo foi surpresa”, de Peterpan e Valzinho, “Tem mais samba”, de Chico Buarque de Holanda , “Aves daninhas”, de Lupicínio Rodrigues e “Marcha da quarta-feira de cinzas”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes. Lançou em 1970 aquele que acabaria sendo seu último LP e cuja música título, de autoria de Laércio Alves e Max Nunes, constituiu-se em enorme sucesso, “Bandeira branca”, um marco em sua carreira. Do LP faziam parte ainda “Estão voltando as flores”, de Paulo Soledade; “Primavera no Rio”, de João de Barro, “Pequena marcha para um grande amor”, de Juca Chaves e “Meu último luar”, de Waldemar Henrique. Ao final deste mesmo ano, prestou histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som, cujos trechos podem ser ouvidos no LP-homenagem editado logo depois de sua morte pela Odeon.

Em 1971, apresentou-se no Teatro Tereza Raquel no Rio de Janeiro. No fim da carreira, apresentou-se em vários programas de televisão.

Em 1972, apresentou-se no antigo Teatro Casa Grande, ao lado de Leila Diniz e do comediante baiano Silvio Lamenha, que a imitava, pateticamente, em cena, exibindo seus conhecidos trinados agudos.

Faleceu em 31 de agosto de 1972.

 

 

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