Credibilidade


O espaço está cada vez maior para as informações no rádio, mas nem tudo pode ir ao ar, assim como muitas músicas estão estouradas, mas nem todas podem tocar.
A notícia ocupa espaço em todas as mídias, mas o espaço que a notícia ocupa em rádios musicais é muito pequeno. Sempre foi.

Neste caso o ouvinte leva a informação de brinde, já que a estrela da programação, claro, é a música. Colocar notícias entre músicas sem que essas notícias sejam desvalorizadas é a rotina do departamento de jornalismo em uma rádio musical onde radialistas gerenciam departamentos e criam oportunidades para o crescimento da emissora.

Em uma rádio “all news”, quem procede com essas gerências? Jornalistas ou radialistas? Nos últimos anos jornalistas tomaram as rádios enquanto radialistas não se atualizaram. Fato.

E o marketing, onde fica nesta mistura? Ele chegou pra deixar o romantismo de lado. Uma rádio tem que faturar como qualquer empresa. Manter o equilíbrio entre audiência e faturamento é uma batalha diária, pois só com criatividade pode-se achar o tom certo entre os dois.

O coordenador artístico da emissora ao ganhar audiência, ganha também a publicidade. Ao ganhar publicidade perde espaço para a programação musical que o levou a ter audiência. Ao perder espaço no entretenimento perde também seus ouvintes e cai de audiência. Esse novo coordenador aprendeu a lidar com redes sociais e tem que ter jogo de cintura no marketing.

Nas organizações de hoje os departamentos de emissoras estão afinados. Todos sabem o que acontece em outros departamentos (ou deveriam saber). Todos bebem da mesma fonte:
o estudo de audiência e seus segmentos.

Até onde o excesso comercial é benéfico para a emissora e quando ele começa a jogar contra? As palavras de ordem são: trabalho e criatividade.
O triângulo formado pelo jornalismo, programação musical e departamento comercial é nitroglicerina pura. Imagina agora entrando o marketing…

O preço da audiência a qualquer custo não é barato. A música que não desce redonda, que desanda o equilíbrio da programação e quando até o ouvinte mais puro percebe alguma imposição comercial. Tudo bem que estamos vivendo uma popularização musical forte. Nossas crianças estão rebolando ao som mais banal que já se ouviu.

O uso da credibilidade que a emissora oferece no jornalismo é o combustível que move o departamento comercial e seus clientes. Quanto mais credibilidade maior o poder de venda. Na rádio musical a credibilidade é a programação propriamente dita. Não pode haver conseções para tratar música como produto.

Agregar valor ao produto é mais que uma frase da moda, é o objetivo de todos, mas cabe impor um limite do aceitável. O profissional de comunicação deve pensar bem antes de fechar um contrato ou gravar alguma campanha publicitária que possa gerar conflitos de interesse. O programador musical deve ter cuidado quando vende seu espaço. Existe o risco de perder o que se leva tempo pra conquistar: a confiança do ouvinte.

por Ruy Jobim
Jan/2013

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