30 anos


Esse ano completo os primeiros 30 anos de carreira em minha vida, mas já era ligado no rádio desde mais cedo. Lembro o nervosismo na primeira vez em um estúdio de rádio em 1977, a primeira vez no ar em 82, o primeiro erro de leitura, o primeiro sucesso no ibope em 85 e tantas outras emoções no ar.

O estúdio me curou de dores incuráveis, a solidão da madrugada me ajudou a pensar e as manhãs de trânsitos e notícias me deixaram ansioso, os equipamentos se transformando e a informática chegando me obrigaram a aceitar e aprender.

Aprendi muita coisa e ainda não entendi outras tantas. Confundi amizade com casamento e na menor emissora descobri o amor, outro casamento, agora pra valer, e tres filhos. Conheci muita gente, mas fiz poucos amigos. Com um deles surgiu minha vocação para o ensino.

São só 30 anos, mas já são 30 anos. O Rio era outro e eu também. Me achava “o cara”, quando o cara mesmo me fez aprender que ninguém é melhor que o outro ao lado. Já demiti e já fui demitido, vi rádios começarem e acabarem, vi injustiças, vi gravadoras mandando e gravadoras mendigando, vi fantasmas, tentei esquecer o rádio e descobri que ele é inesquecível. Já ganhei bem e já trabalhei por amor. Recebi muitos “nãos” e não desanimei, já descobri talentos e me animei.

Agulhas pularam no vinil, cartuchos estiveram fora do ponto, carbono sujou a mão, cassetes enrolaram, ibope lá no alto e lá no chão, muitas músicas e até Beatles fui obrigado a tocar.

Estou feliz pegando fôlego para mais 30 anos!
Faria tudo novamente.

por Ruy Jobim

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