NOSSA CULPA por Ruy Jobim

Como podemos aproveitar esse momento da comunicações atual em crise? Nosso rádio e tv passam por transformações. A resposta nao é simples, mas a experiência atual é uma forma de se renovar completamente. Renovar não no sentido de colocar pessoas mais jovens, câmeras nos estúdios ou transmitir o mesmo conteúdo para a web. Precisamos ter a coragem de renovar o comportamento do radialista.

Há tempos percebo nas emissoras a forma como radialistas encaravam radialistas. Somos ultrapassados na linguagem quando deveríamos ditar moda. Somos velhos falando para velhos. Me refiro a velhos no comportamento.

Falamos um idioma que não existe mais e ainda criticamos esse novo idioma. Criticamos aplicativos, mas não pensamos em parceria. pior é pensar que o velho sempre será melhor enquanto o novo não vai funcionar. Tudo isso sem nenhuma pesquisa ou estudos. Por que razão os radialistas que dirigem as emissoras rejeitam as mudanças e não aceitam as novidades. Por que o novo é sempre ruim? Por que não ousar e mudar a linguagem?
Falta coragem aos que se agarram na segurança de um emprego. Que segurança?

Desde que me entendo por radialista ouço dizer que a audiência do rádio vem caindo. E vem mesmo. O número de aparelhos ligados vem caindo há 30 anos. Pior foi a debandada de agências publicitárias para São Paulo. O bolo publicitário ficou menor. O rádio era esperto e não veiculava a quantidade combinada de anúncios. Fingimos que nada estava acontecendo e continuamos nos achando os melhores e nos vitimando. Gravadoras nos davam fôlego e isso não teria fim. Teve.

Não fomos capazes de perceber as mudancas ou literalmente fomos empurrando com a barriga essa crise que põe o rádio contra o rádio.

Precisamos valorizar os profissionais e dar a eles um pouco de cultura. Precisamos dizer que eles são importantes nessa transição e precisam ser valorizados. Como pode a emissora ter trocentos funcionários? Não precisa mais. Poucas dezenas podem fazer bem o serviço. Ao enxugar o quadro vem a gritaria. Estão acabando com o rádio.

Nas redes sociais absurdos a respeito da mudança da Rádio Globo. Alguém tem a fórmula mágica? Não. Ninguém tem essa fórmula, mas falam mal nas redes. Batem no peito e jogam todas as fichas no fracasso do projeto. Dando certo vão chegar as cópias. Se não der certo teremos outras mudanças até nos valorizar como meio de transmissão inteligente.

Quanto a audiência, nunca mais teremos números astronômicos. Precisamos segmentar e aprender com a história. O rádio vive.

Ruy Jobim
www.escoladeradio.com.br

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