Carlos Townsend (in memorian)

carlos-townsend1-150x150Rádio em Revista bateu um papo com Carlos Townsend – coordenador de emissoras – sobre a Rádio Cidade quem em 1977 mudou o FM  para sempre.

Rádio em Revista: Você sabia que a Rádio Cidade iria dar certo?

Carlos Townsend: Eu sabia que ia dar certo. Não havia no Rio uma Rádio com uma operação de voz e mesa e que soubesse fazer uso de vinheta como nas rádios americanas; que fizesse mixagens das músicas Disco (como nas boates); que conversasse com o ouvinte e não locutasse; que tivesse a cara de Ipanema (no sentido chique e formadora de opinião); porque eu havia escolhido músicas ótimas (tanto novas como antigas) que agradariam a Zona Sul, os formadores de opinião e a noite; porque tinha um programador (o Beto) e locutores que saberiam costurar a programação; porque o produto estava muito melhor do que a Mundial AM, especialmente sem o Big Boy falecido a 6 meses antes da inauguração da RC. Enfim, foi um ”salto de qualidade”.

RR: Financeiramente falando, foi bom?

Carlos Townsend: Ninguém ganhou dinheiro na Rádio Cidade. Éramos funcionários do JB, uma casa excelente. Com prestígio, mas apenas com salários. Ninguém recebeu comissão de coisa alguma, nem de promoções e muito menos jabá. Eu tenho valores muito arraigados. O Beto e o Clever também. Fomos muito paparicados: jantares, festas, viagens, numa época em que as gravadoras ganhavam muito dinheiro às nossas custas.

RR: Quem era o mais criativo da equipe?

Carlos Townsend: Em termos de ideias malucas era o Sandoval, completado pelo Romilson. Eles ficavam pensando besteira o dia inteiro e isso acabou contagiando o resto da turma. Rolou muita coisa boba também. Mas o Clever (e o Veiga) fizeram um bom filtro. Em termos de cultura musical, o Mansur. Eu e Mansur havíamos trabalhado juntos no programa noturno. Eu fazia muita pesquisa e o programa dava muitas informações sobre os artistas da época. Quando a Cidade inaugurou , o Mansur já conhecia todos. os artistas Disco (meu forte) até tudo do repertório nacional que o Mansur conhecia muito bem e me ensinou a admirar. E o Ivan Romero que batalhou muito, se superou e se tornou algo que nunca havia imaginado: um DJ!

RR: Como a equipe reagiu às cópias de emissoras que vieram?

Carlos Townsend: Eu fiquei pouco tempo na Rádio Cidade do Rio. Dois anos depois fui para São Paulo para implantar a Rádio de lá e depois as ”Cidades” de BH, Recife e Goiânia. Acho que subiu um pouco à cabeça deles, especialmente do Sandoval com aquela história do ” Fazendo Escola FM”. Sua operação acabou se tornando lenta, com buracos no ar. Abusou da boa vontade do ouvinte dizendo no ar que não se lembrava o que havia tocado na seqüência anterior. Todo mundo achava graça. De longe, eu percebia que isto ia acabar mal. Deu no que deu: ele e o Romilson foram para a Antena 1 achando que iam arrastar multidões. Não aconteceu. A magia era em torno da ”Cidade” e não desse e daquele. Mas isso é do ser humano, acontece com todo mundo que, de repente, se torna famoso. Fica sem estrutura para ”segurar a onda”.

Entrevista realizada para Rádio em Revista, edição nº 2. Setembro de 2010.
Carlos Townsend faleceu vítima do câncer em 16 de julho de 2014.

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