Angela Maria (rainha em 1954)

Angela Maria
Angela Maria

Abelim Maria da Cunha, nasceu em Conceição de Macabu, distrito de Macaé, RJ, filha do reverendo Albertino Coutinho da Cunha. Começou a cantar ainda adolescente no coro da Igreja Batista do bairro carioca do Estácio, onde seu pai era pastor. Na verdade, todos os seus irmãos cantavam durante os cultos religiosos. Sua voz, porém, era a mais apreciada.

Em 1948, saiu de casa aos vinte anos para cantar no Dancing Avenida. Foi descoberta pelos compositores Erasmo Silva e Jaime Moreira que a levaram para a Rádio Mayrink Veiga.

Iniciou sua carreira profissional cantando em diversos programas radiofônicos com o pseudônimo de Ângela Maria, para que a família não descobrisse. Participou de vários deles, entre os quais “Pescando estrelas”, de Arnaldo Amaral, na Rádio Clube do Brasil; “Hora do pato”, de Jorge Curi, na Rádio Nacional; “Trem da alegria”, dirigido pelo Trio de Osso – Iara Sales, Lamartine Babo e Héber de Bôscoli -, na Rádio Nacional, e “Papel carbono”, de Renato Murce, na Rádio Nacional, além do famoso programa de Ary Barroso, na Rádio Tupi. Em sua primeira apresentação na rádio, esqueceu a letra, saiu do ritmo e, quase aos prantos, cantou o samba-canção “Fuga”, de Renato de Oliveira. Pensou que perderia o emprego, mas a produção lhe deu o prazo de uma semana para criar um repertório próprio e deixar de imitar Dalva de Oliveira. Daí em diante, começou a revelar seu talento e originalidade.

Angela Maria - 1954

Em 1954 foi escolhida como a “Melhor cantora do ano”. Também nesse ano, foi eleita “Rainha do Rádio“, pela primeira vez, chegando a obter o total de 1.464.906 votos. Na ocasião, assim noticiou o jornal O Globo: “Ângela Maria assinalando uma apuração recorde de mais de um milhão de votos, inegavelmente a mais popular cantora do nosso broadcasting neste último ano, sagrou-se a Rainha do Rádio de 1954. A coroação da soberana terá lugar na próxima terça-feira, por ocasião do Baile do Rádio, a ser realizado no Teatro João Caetano”.

Em 1955, foi escolhida “Rainha dos músicos” e participou do filme “O Rei do movimento” no qual cantou as músicas “Escuta” e “Francisco Alves”. Também nesse ano, o samba “Minha vez chegou!”, de José Batista, Manoel Pinto e Noel Rosa de Oliveira, lançado na sua voz foi escolhido por um júri reunido no Teatro João Caetano como um dos dez mais populares do carnaval daquele ano.

Ainda em 1955, foi escolhida pelo crítico Silvio Túlio Cardoso através da coluna “Discos populares” escrita por ele para o jornal O Globo como a “melhor cantora do ano” recebendo como prêmio um “disco de ouro” entregue em cerimônia no Goldem Room do Copacabana Palace.

Revista Radiolandia
Revista Radiolândia – capa Angela Maria

 

Em 1956, foi escolhida pela revista “Radiolândia“, em votação que reuniu toda a equipe de redatores e repórteres, como a “melhor cantora do ano”.

Em 1994, foi a homenageada do ano do Prêmio Sharp. Ainda nesse ano foi enredo da Escola de samba “Rosa de Ouro”, de São Paulo. A partir de 1995, fez diversos “shows” no Rio, acompanhada pelo conjunto Opus 5, apesar de seu forte ser mesmo espetáculos em casas mais populares, como churrascarias e boates. Em 1996, lançou o álbum “Amigos”, cantando com grandes nomes da MPB os maiores sucessos de sua carreira. O álbum, apresentado por Ricardo Cravo Albin, recuperou seu prestígio junto aos críticos mais rigorosos e vendeu mais de 500 mil cópias e recebeu o Prêmio Sharp na categoria “Melhor cantora popular”.

Chegou a ser eleita por unanimidade, em pesquisa do Ibope, a cantora mais popular do Brasil. Dedicou-se a interpretar principalmente sambas-canções, mas também gravou muitos boleros, tangos e versões de baladas e músicas espanholadas e italianas. Ao longo da carreira gravou mais de 100 discos entre 78 rpm, LPs e CDs. Seu repertório até 1962 é considerado por alguns críticos como mais sofisticado, embora tenha sido sempre uma cantora popular. Na década de 1970, foi considerada uma cantora “cafona” pela crítica. Nessa época, muitos jovens compositores consolidavam sua carreira dentro de uma estética mais moderna, introduzida pelos movimentos da bossa nova e da tropicália, o que não a abalou. Seguiu dentro de seu estilo de cantora romântica, com ênfase em boleros e sambas-canções. Continuou sendo cultuada por sua legião de fãs, embora tivesse menos espaço na mídia.

Angela Maria hoje
Angela Maria hoje

Foi talvez a única cantora da chamada “Era do Rádio”, dos anos 1950 que conseguiu obter grandes sucessos de vendagem e execução nas décadas seguintes.

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