A DESCULPA DO RÁDIO

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Meu texto sobre o fim da BEAT98 não foi direcionado a ninguém e nem é exclusivo da emissora, como escrevi no final do mesmo. Mas essa é a realidade do veículo e os discursos são mais que manjados. Mas se ainda dá certo para uma emissora que seja, pode funcionar para todas.

Curiosamente as que andam bem, são feitas por radialistas. Isso é tão óbvio. Negar a contribuição que um profissional tem a oferecer é o mesmo que colocar o Michael Jordan no beisebol ou achar que Usain Bolt será um esmero atacante no futebol. Tudo é esporte, né?

Não estou falando que mudar de ares não dá certo. Que misturar experiências é errado. Mas sim que não se adaptar e não valorizar quem tem vivência. É não praticar o que o rádio oferece: saber escutar.

Cada vez mais radialistas saem do mercado e são desvalorizados. São coordenadores ganhando mil reais e locutores que não chegam a isso.

Tem muito profissional ruim por aí, que não se atualizou, que parou no tempo, diga-se. É como técnico de futebol: Joel Santana ou Guardiola? O primeiro é ótimo para rir e tomar umas, mas o segundo é que funciona.

Rádio parece fácil fazer porque é fácil gostar. Mas não é fácil. O simples é o que funciona, mas é o mais difícil de fazer. Ter ideias mirabolantes, todos têm. Administrar também não é fácil, principalmente o ser humano. O rádio é o mais pessoal de todos.

PENSE: no futebol temos pay-per-view, tevê aberta com câmera 360° e as arquibancadas continuam cheias. A TV Globo tem contra mais de 100 canais a cabo, a temida internet e discursos de um país contra ela e continua com uma audiência absurda. É possível baixar filmes, televisores 3D, várias assinaturas que disponibilizam o longa um mês depois, aplicativos para assistir em qualquer lugar, DVDs baratos, piratas, blue-ray, mas as salas de cinema continuam lotadas. Restaurantes e bares pipocando, saindo no tapa por cada cliente, cada chope, mas continuam lotados, apesar do Rio ser um dos lugares mais caros do planeta. Fora a Lei Seca.

Tem que saber se atualizar para entregar. Fazer o serviço!

Não aceito, nunca aceitei, o discurso que o problema são de aplicativos, celular, MP3, da internet, do sol, do escambau.

A geração que veio antes da minha é diferente da que virá após. O mundo segue mudando. É assim para todos. O que vou fazer com a educação e a criação do meu filho? Abandoná-lo?

Por Bruno Menezes

18 de novembro de 2014.

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